David Campbell/Portal da Copa/ME
David Campbell/Portal da Copa/ME

Três grupos devem participar de leilão de aeroportos; Pátria desiste

Certame, marcado para 5ª feira, envolve terminais de Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Florianópolis; operadoras da França e da Alemanha estão na disputa

Victor Aguiar, Luciana Collet, Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2017 | 17h32

Grupos interessados no leilão de aeroportos que será promovido na quinta-feira, 16, na BM&FBovespa, estiveram na sede da companhia em São Paulo nesta segunda-feira, 13, para entregar propostas e apresentar os documentos exigidos para participar do certame, que envolve os terminais de  Salvador (BA), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC). Uma fonte afirma que um dos interessados é o operador francês Vinci Airports, que teria, sim, entregue as propostas.

Agentes do setor acreditam que os outros dois grupos seriam a Fraport (da Alemanha) e a Zurich (Suíça), mas até o momento não há confirmação por parte das empresas.

O Pátria Investimentos informou que desistiu de participar do leilão dos aeroportos que se realiza nesta semana. "O Pátria investimentos confirma que não apresentou proposta para o Leilão de Aeroportos de Salvador (BA), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC), marcado para esta quinta-feira (16/03)", afirmou em breve nota a gestora de investimentos.

A empresa estava associada com o operador alemão AviAlliance para disputar os aeroportos. Representantes do consórcio chegaram a ir à BMB&FBovespa com uma equipe de profissionais e diversas caixas de documentos, mas a proposta e outros documentos correlatos não foram entregues dentro do prazo estipulado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), até as 16 horas desta segunda-feira.

Relatos dão conta que o grupo de profissionais que representava o consórcio ficou por mais de uma hora no saguão da BM&FBovespa e chegou a circular a informação de que representantes teriam ido até a equipe da Anac que recebe os documentos para entregar as caixas. No entanto, segundo uma fonte próxima às empresas, houve um desentendimento de última hora entre os acionistas.

A CCR, por sua vez, confirmou que não entregou propostas. O grupo argentino Corporación America também teria desistido da disputa, segundo uma fonte. Procurada, a empresa não se pronunciou a respeito.

A abertura das propostas pelos quatro aeroportos está marcada para a próxima quinta-feira, 16, a partir das 10h.

Disputa. O governo federal espera disputa e propostas para todas as concessões de aeroportos, mas não acredita em ágio elevado como em rodadas anteriores, segundo o secretário especial da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Adalberto Vasconcelos.

O secretário afirmou a jornalistas que ágio não é sinônimo de sucesso de leilão. "Não queremos ágio e sim prestação de serviço. Esperamos propostas para os quatro aeroportos, mas não devemos ter o mesmo ágio do passado."

Em novembro de 2013, consórcio formado pela Odebrecht e a operadora de aeroportos Changi, de Cingapura, obteve a concessão do aeroporto do Galeão (RJ), ofertando cerca de R$ 19 bilhões, quase quatro vezes acima que o lance mínimo definido pelo governo. Já o aeroporto de Confins (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte, foi arrematado pelo consórcio liderado pela CCR, com lance final de R$ 1,82 bilhão, ágio de 66%.

Vasconcelos acrescentou que o modelo de concessão nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff estimulavam o pagamento de ágio, mas os projetos nem sempre se mostraram sustentáveis com a mudança de cenário atravessado pela economia brasileira, que atravessa dois anos de recessão.

"Se você faz uma modelagem para ter ágio grande você até consegue, mas inviabiliza a execução do contrato. Por isso temos aeroportos em dificuldades", disse, acrescentando, que pelo modelo antigo o ágio era diluído ao longo da concessão e agora será logo no início do contrato.

Ele afirmou ainda que o edital do leilão de quinta-feira foi feito para atrair investidores nacionais e estrangeiros. "Vários estrangeiros nos procuraram e podemos ampliar nosso mix de investidores no país", afirmou.

Na semana passada, duas fontes do governo com conhecimento do assunto, afirmaram à Reuters que oito empresas mostraram interesse no leilão dos aeroportos. Além das espanholas Aena e OHL e da brasileira CCR, as interessadas incluíram a francesa Vinci Airports, a suíça Zurich Airport, a argentina Corporación América e as alemãs Fraport e Avialliance./COM REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.