Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Ao redor do mundo, a inflação cai

Índices estão nos mais baixos níveis dos últimos anos nos Estados Unidos e em toda Europa

Floyd Norris, da Nytimes.com, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2013 | 02h18

A inflação americana, que, segundo alguns economistas, foi uma ameaça constante desde que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) começou a adquirir grandes quantidades de títulos do governo, ao que tudo indica está baixando a níveis inferiores ao dos últimos anos. E quedas semelhantes são observadas em muitos países europeus.

O declínio do indicador inflacionário mais observado pelo Fed - o deflator dos gastos com consumo pessoal - poderia representar um motivo para o banco central americano adiar a esperada redução gradativa das compras de títulos.

Na semana passada, o governo informou que o índice de preços subiu apenas 0,9% nos 12 meses até setembro. "As autoridades do Fed afirmaram que sua política monetária de afrouxamento quantitativo justifica-se não apenas pela debilidade dos mercados de trabalho, mas também pelo declínio da inflação dos preços ao consumidor, principalmente se este se aproximar demasiadamente da deflação", escreveu esta semana Ed Yardeni, principal estrategista de investimentos da Yardeni Research. "Elas indicaram que mesmo que a taxa do desemprego caia para 6,5%, não deverão ter nenhuma pressa em endurecer a política econômica no caso de a inflação continuar excessivamente baixa."

Em outubro, a taxa de desemprego foi de 7,3%, e o Fed não previa que a inflação dos gastos com consumo pessoal caísse a esse ponto.

A inflação caiu também na Europa, onde, na semana passada, o Banco Central Europeu (BCE) cortou os juros em resposta a uma surpreendente estimativa de que os preços ao consumidor na zona do euro subiram apenas 0,7% no ano até julho.

Esta semana, o Reino Unido informou que a inflação anual no país caiu para o menor nível dos últimos quatro anos, 2,2%. A França informou que a inflação anual do país foi de apenas 0,6%, também o menor índice em quatro anos. As taxas mais recentes na Alemanha (1,2%), Espanha (1,3%) e Itália (0,8%) são as mais baixas dos últimos três anos.

Exceção a essa tendência é o Japão, que sofre há anos com a deflação.

Outro lado. O mais recente relatório não mostrou nenhuma alteração nos preços ao consumidor nos 12 meses anteriores, um sinal muito positivo para o governo japonês, que tenta agressivamente recuperar a economia.

A queda dos preços do petróleo influiu consideravelmente no declínio da inflação este ano. Mas a inflação estrutural, que exclui os preços oscilantes dos alimentos e da energia, também é baixa: 1,2% nos últimos 12 meses.

Um setor que contribui para manter a inflação a um nível menor é o dos bens duráveis, cujos preços continuam caindo.

Talvez a parte mais surpreendente do último relatório americano sobre a inflação seja o custo dos serviços de saúde no terceiro trimestre, que subiram apenas 1,1% acima do nível de um ano atrás. Foi o menor aumento anual desde 1962. Se os custos dos serviços de saúde subirem menos do que o esperado nos próximos anos, isso contribuirá consideravelmente para aliviar a pressão sobre o orçamento provocada pelos aumentos esperados dos custos do Medicare (cobertura para idosos).

Os bancos centrais agora visam em geral uma inflação de 2% e consideram porcentuais menores potencialmente tão alarmantes quanto acima desse patamar. Numa coletiva à impressa em setembro, Ben Bernanke, presidente do Fed que em breve deixará o cargo, afirmou que: "É improvável que o comitê de política monetária eleve as taxas de juros se for prevista uma inflação abaixo do nosso objetivo de 2% durante algum tempo". / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

Artigo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.