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Aos 50 anos, BNDES assume novos desafios

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) completa 50 anos quinta-feira. Agora com meio século de atividades, o Banco que foi chamado de "parteiro da indústria brasileira" pelo economista, político e diplomata Roberto Campos, ainda é o principal órgão de desenvolvimento do País e enfrenta hoje novos desafios, segundo avaliação do presidente da instituição, Eleazar de Carvalho Filho. "O banco precisa encontrar os meios para trazer as micro e pequenas empresas para a economia produtiva e integrada. Isso é um desafio", diz Eleazar. Promover o desenvolvimento das regiões mais pobres, reduzindo assim os desequilíbrios regionais é mais um. Outro é "alavancar o mercado de capitais para ele servir como instrumento para todos os outros desafios." Ampliar as exportações e, especialmente, o número de empresas exportadoras é mais um.Eleazar ressalta, porém, que o BNDES continuará tendo um papel importante nas suas áreas tradicionais de atuação como o planejamento e financiamentos voltados para a infra-estrutura e a modernização da produção. Outro ainda é colocado pela "economia do conhecimento". "Teremos de pensar em novos projetos e programas com base no conhecimento, na inovação, nos modernos procedimentos gerenciais."Além disso, ressalta "é fundamental que se continue mantendo tudo o que o BNDES já faz. Ferrovias, rodovias, telecomunicações, energia, isso tudo é muito importante para uma economia que depende de logística e de gestão das cadeias produtivas". De acordo com Eleazar, o banco sempre terá "novos requerimentos no que já fazia".Os novos, no entanto, estão ligados à mudanças da mentalidade empresarial. No caso do comércio exterior, segundo ele, "as empresas tem de entender que a exportação precisa ser parte da estratégia permanente delas. A exportação tem de ser menos oportunistas, não podem ser só de excedentes ao mercado interno".Ele argumenta que com o câmbio flutuante, a rentabilidade dos projetos também muda muito. "Se a longo prazo você pode trabalhar para gerir seus riscos, é necessário ter um equilíbrio na sua carteira de produtos e mercados." Para Eleazar, diversificando os produtos e os mercados por tantos países quanto possível "a empresa tem oportunidade de crescer e compensar uma redução em um mercado com o crescimento no outro". Exportação - Atualmente, só 17 mil das cerca 3 milhões de empresas brasileiras exportam. Estes números, no entanto, não desanimam o presidente do BNDES, que vê neles um potencial de crescimento. "O número de empresas que exportam é pequeno e o Brasil ocupa só 1% do comércio mundial, então tem como crescer."Os desafios estão interrelacionados e o aumento do número das empresas exportadoras está diretamente ligado à questão das pequenas empresas. "Temos de dar competitividade à pequena e à média empresa, até para exportar." Há uma multiplicidade de projetos de investimentos de longo prazo de interesse do País e hoje o BNDES é a única fonte nacional de recursos de longo prazo para financiar o desenvolvimento. É por isso que o desenvolvimento do mercado de capitais é defendido pelo presidente do banco, para se transformar em outra fonte geradora de recursos para financiamento de investimentos de longo prazo. "Para atender a esse crescimento da demanda por recursos de longo prazo, o banco não pode ser a fonte única", diz Eleazar. "Queremos viabilizar um número maior de projetos e isso só é possível com um grau menor de recursos do banco em cada um e mais recursos de terceiros, que, com esse trabalho que estamos fazendo, esperamos que possam vir do mercado de capitais."Para o presidente do BNDES, a venda pulverizada de ações da Petrobrás e da Vale do Rio Doce somada às ações do banco para o desenvolvimento da governança corporativa nas empresas tem sido importantes para o objetivo de impulsionar o mercado de capitais. Como o mercado de capitais brasileiros ainda não tem se prestado a esse papel, é o BNDES que aparece como financiador de investimentos de longo prazo e do desenvolvimento também nos programas dos partidos que disputam a Presidência como instrumento fundamental de crescimento econômico, geração de emprego e renda e de melhores resultados na balança comercial."O BNDES é o instrumento que viabiliza os investimentos de longo prazo, a formação de capital e a ampliação da capacidade produtivo", afirma Luiz Paulo Vellozo Lucas, coordenador do Programa de Governo do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, e prefeito de Vitória. "Ele terá um função estratégica no governo Serra porque o financiamento de investidores talvez seja a principal ferramenta da política industrial e de comércio e a promoção da produção e da exportação será uma grande prioridade", diz Vellozo Lucas, que tem orgulho em dizer que é funcionário de carreira do BNDES, onde trabalhou por 22 anos. Segundo o ex-secretário de Planejamento, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Rio de Janeiro Tito Ryff, principal assessor econômico do candidato do PSB, Anthony Garotinho, o BNDES é um instrumento central para atender aos objetivos do programa econômico do seu partido. "O objetivo do programa econômico do Garotinho é gerar um ciclo virtuoso a partir do incentivo ao investimento, à produção e às exportações de forma a reduzir a dependência externa, fazer o PIB crescer mais rápido que a dívida, aumentar a arrecadação pelo aumento da base de tributação, e ter mais mercado formal de trabalho. Para atender a esses objetivos, é claro que o BNDES é imprescindível e seu crédito será usado para estimular a produção e principalmente as exportações", afirmou. Também para o PT, de Lula, e o PPS, de Ciro Gomes, cujos programas são voltados para a retomada do crescimento e do desenvolvimento, os financiamentos do BNDES e o orçamento do banco, que evoluiu de cerca de R$ 112 milhões em 1953 para R$ 26 bilhões este ano, são instrumentos poderosos. O PT pretende usar o BNDES até mesmo como financiador dos pequenos agricultores, de produção não comercial.

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