Marie Hippenmeyer/ Agência Estado
Marie Hippenmeyer/ Agência Estado

Coluna

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Morre o jornalista Celso Pinto, o criador do ‘Valor Econômico’

Ele foi um dos jornalistas mais influentes da sua geração e tinha seus textos acompanhados de perto por banqueiros e empresários

O Estado de S.Paulo

03 de março de 2020 | 18h25

Morreu nesta terça, 3, o jornalista Celso Pinto, aos 67 anos. Um dos jornalistas econômicos mais influentes de sua geração, ele foi o fundador do jornal Valor Econômico, principal periódico especializado em economia do País.

Ele estava afastado do jornal desde 2003, quando teve uma parada cardiorrespiratória. Nos últimos dez dias estava internado em razão de uma pneumonia.

Formado em Ciências Sociais pela USP, Celso Pinto começou a trabalhar em 1974 como repórter da Folha de S.Paulo. Anos depois, graduou-se em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Com uma trajetória de sucesso, consolidou sua carreira na área econômica na Gazeta Mercantil, onde trabalhou em São Paulo e Brasília e como correspondente em Londres.

“Celso foi o melhor jornalista da sua geração. São poucos jornalistas que têm a capacidade dele de explicar assuntos complicados de economia com simplicidade”, disse ao Estado o economista Persio Arida, um dos idealizadores do Plano Real.

Amigos desde o tempo da USP, Arida contou que Celso Pinto tentou levá-lo para o jornalismo, assim como o economista tentou levá-lo para o governo à época do Plano Real. “Não como economista, mas para escrever sobre esse momento da economia. Obviamente, Celso não aceitou, alegando que não queria comprometer a imparcialidade que um jornalista deve ter”, disse Arida.

O sócio-fundador da Gávea Investimentos e ex-presidente do BC, Arminio Fraga, disse que Celso foi "um ícone e um líder do jornalismo econômico brasileiro. Deixa um exemplo de competência e seriedade".

Seguindo essa linha, Celso Pinto foi o primeiro jornalista a alertar sobre as armadilhas do Plano Real, rompendo o silêncio mantido pela imprensa sobre a bomba que se armava com a âncora cambial, conforme descreveu a economista Eliana Cardoso no prefácio do livro “Os desafios do crescimento, dos militares a Lula”, uma coletânea de artigos de Celso Pinto organizada pelo jornalista Oscar Pilagallo, publicado em 2007.

Quando retornou de Londres, voltou à Folha em 1996 como colunista. Suas colunas eram acompanhadas pelos principais banqueiros e empresários do País e costumavam pautar a grande imprensa.

Com trânsito livre em Brasília, ele também frequentou por mais de 30 anos as reuniões do FMI e do Banco Mundial

Em 2000, Celso Pinto foi convidado pelos controladores da Folha e do Globo para formar a equipe de 160 jornalistas e as diretrizes do Valor Econômico, do qual foi diretor de redação até maio de 2003, quando se afastou definitivamente da carreira. Ele deixa a esposa, a jornalista Célia de Gouvêa Franco, os filhos Pedro e Luís, o neto Davi e as irmãs Wandy e Stela.

O velório terá início às 10h no Cemitério do Morumbi e o enterro ocorrerá às 14h.

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