Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Aos 80 (ou mais), eles comandam grandes negócios

Empresários octagenários desafiam a lógica do mercado de trabalho e se mantêm na linha de frente das decisões de empresas

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

Depois de reerguer uma padaria quase falida em Mato Grosso, Ueze Zahran juntou dinheiro para comprar uma casa para a mãe e trazer de São Paulo o que era tecnologia de ponta nos anos 50: o fogão a gás. Logo percebeu que o presente poderia virar "mico", pois não havia fornecedor de gás no Estado. Essa necessidade foi o estalo da criação da Copagaz, companhia que fatura R$ 1,1 bilhão e que o empresário, hoje aos 85 anos, ainda preside.

Zahran é um exemplo de empreendedor octogenário que está na linha de frente de grandes negócios brasileiros. Mas não é o único: Anis Razuk, fundador da confecção Zelo, 88 anos, dá expediente até hoje na sede da empresa, no centro de São Paulo, embora já tenha repassado o comando da empresa para o filho Mauro. Já Adelino Colombo, que completa 80 anos hoje, ainda comanda as decisões da gaúcha Lojas Colombo, embora haja rumores de que ele esteja preparando sua saída para breve.

Recém-saído do processo de sucessão, Raul Randon, 81 anos, deixou a presidência executiva da empresa em 2009. A decisão de repassar o comando do grupo Randon ao primogênito David foi tomada em cúpula: quatro dos cinco filhos do fundador são executivos da holding que concentra dez empresas, incluindo a fábrica de carretas, o negócio de autopeças e atividades ligadas ao agronegócio.

O sistema de decisões conjuntas aplicado na família migrou para a empresa, conta Randon. "Hoje está tudo montado de uma maneira em que um só não resolve nada." Apesar do aspecto democrático, o empresário afirma não abrir mão de que o executivo-chefe carregue o nome da família: "Os nossos diretores sabem que podem chegar a vice-presidente, mas o presidente sempre será um Randon."

Enquanto a família Randon já definiu a sucessão, Ueze Zahran, da Copagaz, não pensa muito no assunto - diz ter parentes na empresa, incluindo genros e sobrinhos, mas não vê razão para a substituição. "Não pretendo morrer nos próximos 20 anos. E essa empresa só está de pé desde 1955, modéstia à parte, porque estou aqui." O empresário chega às 9h30 no escritório e recebe o relatório das vendas do dia anterior - ele mantém sempre à mão uma planilha com os preços máximos, médios e mínimos para o GLP ao longo do mês.

Zahran é conhecido por circular nas esferas de poder nas últimas décadas martelando o que diz ser uma obsessão pessoal - a obrigatoriedade do teste de qualidade dos botijões de gás a cada dez anos, regra aplicada no País desde 1997, mas que, segundo ele, não é inteiramente cumprida pelo mercado. "Eu vou terminar de testar os meus em 15 dias, com três anos de atraso. Mas há botijões no Brasil que nunca foram testados em 50 anos. É a segurança das famílias que está em jogo", afirma.

Estilo. Uma empresa com um octogenário em posição-chave tem suas peculiaridades no dia a dia. Na Copagaz, Zahran mantém um copeiro, vestido de terno branco, para atender as visitas importantes - categoria em que a reportagem do Estado foi incluída. Muitos dos funcionários também ganham o status de "escudeiros". A secretária, Elizete, trabalha com Zahran há 37 anos. Há cinco anos, escreveu um livro sobre a vida do chefe. "Ela me parava no corredor e fazia um monte de perguntas. Eu não entendia nada", lembra ele.

Razuk e Randon, que já estão fora das decisões diárias dos negócios, priorizam a qualidade de vida: o dono da rede Zelo tira um cochilo após o almoço em sua sala, todos os dias. O fundador da Randon acorda às 6h, mas só chega no escritório às 9h30. Antes, pratica natação e toma café da manhã com calma - duas vezes por semana, aproveita também para fazer uma massagem antes do trabalho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

  • Será que o Pix é seguro? Veja dicas de especialistas
  • 13º salário: quem tem direito, datas e como a pandemia pode afetar o cálculo
  • Renda básica: o que é, quais os objetivos e efeitos e onde é aplicada

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.