Montagem de cestas de Natal na Casa Santa Luzia
Montagem de cestas de Natal na Casa Santa Luzia

Aos 88 anos, empresa quer manter loja única

Para especialistas emvarejo, estratégia éarriscada, especialmente com a chegada de rivaiscomo a Eataly

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2014 | 02h03

No último sábado, a Casa Santa Luzia, sinônimo de supermercado de luxo dos paulistanos, completou 88 anos. A empresa continua fiel ao princípio do fundador, o imigrante português Daniel Lopes: o de nunca transformar a marca numa rede sob o risco de perder o controle da qualidade dos produtos.

"Não pretendemos abrir filiais, nosso foco é no cliente e nos produtos diferenciados", afirma Ana Maria Lopes, diretora-geral da empresa. Segundo ela, essa fórmula tem tido sucesso. Nos últimos quatro anos, o faturamento real (descontada inflação) com uma única loja, localizada no bairro paulistano dos Jardins, cresceu 5% ao ano.

Mas com o crescimento do mercado de produtos gourmet e a chegada no País de redes internacionais, como a italiana Eataly, prevista para começo do ano que vem, consultores de varejo acham a estratégia de loja única arriscada. "Um local só me parece problemático. Na lógica do capitalismo, se você não cresce, desaparece", diz o presidente do Conselho do Provar, Claudio Felisoni de Angelo, em referência a empresas do ramo gourmet.

Marcos Gouvêa de Souza, sócio da GS&MD, tem avaliação semelhante à de Felisoni em relação à estratégia de loja única. Segundo ele, esse modelo de negócio extremamente conservador usado para obter excelência no atendimento pode ameaçar o crescimento, especialmente no momento em que o mercado de produtos gourmet no País cresce a olhos vistos e é alvo empresas estrangeiras e também de nacionais.

Na avaliação de Ana Maria, o foco da Casa Santa Luzia é diferente da empresa que está chegando ao País. Ela ressalta que a companhia não pretende ter restaurante e quer se manter como referência na venda de alimentos de qualidade. Apesar disso, desde 1989, a empresa tem uma rotisserie que responde por 30% do faturamento. "É uma cozinha artesanal para atender à demanda dos nossos clientes por praticidade." 

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