Aos EUA, Li Keqiang disse que PIB chinês era 'artificial'

Em encontro com embaixador americano em 2007, futuro premiê disse que dado era 'apenas para referência'

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2015 | 02h03

LONDRES - Em 12 de março de 2007, o embaixador dos Estados Unidos na China, Clark T. Randt Jr., convidou uma liderança promissora do governo chinês para jantar. Segundo um telegrama enviado pela embaixada americana em Pequim para Washington, e vazado pelo Wikileaks, o então secretário do Partido Comunista da província de Liaoning, Li Keqiang, esteve na residência do diplomata e reconheceu que o número do PIB chinês era "artificial" e, portanto, "não confiável". Sorrindo, ele disse que dado era "apenas para referência". Anos depois, Li Keqiang se tornou o primeiro-ministro chinês.

O telegrama enviado por Randt Jr. aos superiores em Washington classifica Li Keqiang como uma liderança "engajada e bem informada" do partido chinês e, em 2007, o citava como um possível sucessor do presidente Hu Jintao. Naquela noite, o promissor político chinês aproveitou a passagem por Pequim, onde acontecia o Congresso do Partido Comunista, e esteve na residência do embaixador americano.

A Randt Jr., Li Keqiang disse que, para avaliar a economia da região de Liaoning, ele preferia focar três indicadores que eram mais precisos: 1) consumo de energia elétrica - que havia crescido mais de 10% em 2006; 2) volume de transporte ferroviário - que é mais acurado porque impostos são cobrados sobre o peso transportado; e 3) volume de empréstimos concedidos - dado que também seria preciso por causa da cobrança de juros.

Desconfiança. O mercado desconfia há muito tempo da qualidade dos indicadores econômicos da China. Em Londres, a consultoria Lombard Street Research estima que a economia chinesa poderá crescer até 4% este ano, com viés negativo. No primeiro trimestre, ao contrário do divulgado, a China teve contração da atividade, diz a consultoria.

Para muitos analistas, Pequim manipula dados para exibir um quadro mais palatável à população e aos investidores. Economistas dizem que há uma verdadeira "caixa preta" e, por isso, instituições trabalham com projeções internas.

Analistas dizem que um governo que controla com mão forte todos os segmentos da economia teria facilidade em tentar maquiar números. Nos últimos anos, ficaram famosos casos como o relatado pelo jornal The New York Times, de que geradoras elétricas inflavam números relacionados ao consumo de energia. Ao contrário da contração de cerca de 10% observada em algumas regiões em 2012, dados das usinas estatais mostravam consumo estável ou até com ligeira alta.

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