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Apagão inferniza a vida dos cidadãos na Argentina

O velho fantasma do apagão, apagón, en espanhol, voltou a infernizar a vida dos argentinos e promete criar uma crise de energia sem precedentes. Ontem, o país viveu o pior apagão de sua história que afetou cerca de 16 milhões de pessoas por mais de três horas. A justificativa das fornecedoras de energia foi a explosão de um transformador de uma de suas estações que recebe a energia gerada nas centrais hidroelétricas do sul do país. Porém, as suspeitas da população e do próprio governo é de que o pano de fundo do apagão seja o desejo das concessionárias de que as tarifas sejam reajustadas. Até o o Fundo Monetário Internacional coloca o aumento das tarifas dos serviços públicos como uma das exigências para assinar o acordo com a Argentina. A possibilidade de um apagão sempre foi cogitada pelas empresas do setor como uma das consequências mais factíveis do processo de falta de investimento que causou o congelamento das tarifas desde a desvalorização do peso, no começo deste ano. O lobby pelo aumento também inclui a ameaça de um colapso no sistema de energia com consequências muito mais graves do que as da crise energética do Brasil. A versão oficial, no entanto, descarta qualquer tipo de sabotagem e garante que tudo foi um acidente. O fato é que quase toda a capital federal, a grande Buenos Aires e seis províncias ficaram sem energia no horário de uma partida de futebol decisiva para o campeonato local e num dia estratégico em que o calor atingia mais de 30 graus e as pessoas estavam em casa, descansando para iniciar uma nova semana de trabalho. A cidade de Buenos Aires parou e o rádio voltou a ser o único meio para os amantes do futebol acompanharem o clássico jogo entre Independiente e Boca Júniors. O apagão foi considerado histórico devido às suas proporções e promete ser um dos temas de debate desta semana e um dos principais problemas para o governo solucionar. No governo se fala que o presidente Eduardo Duhalde prepara um decreto para reajustar as tarifas de eletricidade e de gás sem a necessidade de realizar audiências públicas, como prevê a lei. Para Duhalde não se trata somente da pressão das empresas e da população que de um lado não quer ficar às escuras e de outro, rejeita a idéia de arcar com o aumento. Trata-se de também atender à uma das condições impostas pelo FMI para dar continuidade às negociações.A história da energia elétrica na Argentina tem várias páginas negras que evidenciam grandes falhas no setor e demonstram a necessidade de investimentos para evitar uma crise energética. Em 1988 houve cortes programados, produto do déficit de geração, falhas técnicas e atentados que deixaram sem as principais cidades do país. Em 1999, um incêndio em uma sub-estação de geração da Edesur, deixou sem luz 600 mil pessoas no meio de um verão caloroso durante 12 dias. No mesmo ano, uma sabotagem derrubou três torres de alta tensão, deixando a mais de dois milhões de usuários sem energia.

Agencia Estado,

25 de novembro de 2002 | 08h52

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