Aperto monetário voltará, mas Bernanke não sabe quando

WASHINGTON

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2011 | 00h00

Em inédita entrevista à imprensa, após reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, indicou ontem ser inevitável o aumento dos juros nos Estados Unidos. Senão como meio de reduzir a inflação, pelo menos como instrumento para atrair fluxos de capital necessários para mover mais aceleradamente a economia americana e fortalecer o dólar. Bernanke afirmou não saber "quando começará o aperto monetário", mas disse que agora seria "cedo demais". No mercado americano, a aposta é de retomada dos juros, próximos a zero desde dezembro de 2008, no fim deste ano, quando o Fed prevê inflação máxima de 2,8%.

"O Federal Reserve acredita que o dólar forte e estável é de interesse dos EUA e da economia mundial. No nosso ponto de vista, se fizermos o necessário para cumprir nosso mandato de manter a estabilidade de preços e o máximo emprego, vamos gerar os fundamentos para ajudar o dólar em médio prazo", afirmou. "O ritmo do crescimento vai aumentar com o tempo, e a economia americana voltará a ser uma das melhores, mais fortes e dinâmicas do mundo", previu Bernanke.

O presidente do banco central dos EUA deixou claro que as decisões do Fomc seguirão movimentos futuros, entre os quais a cuidadosa avaliação das expectativas de inflação. Ontem, ao final de sua reunião trimestral, o Fomc divulgou novas projeções para a economia americana em 2012 e 2013, diferentes das anunciadas em janeiro. Marcado por eleições presidenciais, o ano que vem deverá fechar com crescimento entre 3,5% a 4,2% e com inflação entre 1,2% e 2,0%. Na previsão anterior, o porcentual máximo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) era de 4,4%, e a inflação variaria de 1,0% a 1,9% no final do ano.

Para 2013, o indicador de preço ao consumidor não passará de 2,0%, como no cálculo de janeiro. Porém, o crescimento econômico, antes previsto entre 3,7% e 4,6%, será mais modesto, de 3,5% a 4,3%. Bernanke insistiu serem "temporários" os fatores que estão pressionando os preços, como a cotação das commodities e do petróleo, e deixou clara a intenção de "ancorar" a inflação, em médio prazo, em 2,0%.

Porém, afirmou haver "muita incerteza" mundo afora. Em especial, sobre a capacidade de o Japão pagar seus compromissos de longo prazo, a evolução das crises políticas no Oriente Médio e no norte da África e o desempenho das economias emergentes e da Europa. No plano interno, Bernanke apontou a equação da dívida de mais de US$ 14 trilhões e do déficit fiscal como o "problema mais sério dos EUA" no longo prazo.

Conforme afirmou, a recente decisão da consultoria Standard & Poor"s de rebaixar a classificação de risco soberano dos EUA para AAA negativo foi "construtiva". Bernanke disse estar "esperançoso" de ver "o Congresso prontamente enfrentar essa questão". Entre as tarefas urgentes dos parlamentares estão a aprovação do orçamento de 2012 e o ajuste fiscal para os próximos 10 a 12 anos. Também espera-se uma decisão favorável ao aumento do teto para a dívida pública, sem o qual os EUA terão de declarar calote.

Confiança

BEN BERNANKE

PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL DOS ESTADOS UNIDOS

"O ritmo do crescimento vai aumentar com o tempo, e a economia americana voltará a ser uma das melhores, mais fortes e dinâmicas do mundo."

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