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Aperto no crédito complica disputa pela compra do ABN

Disposição dos investidores nas próximas duas semanas será fundamental para o resultado da disputa

STEVE SLATER, REUTERS

11 de setembro de 2007 | 11h28

As turbulências nos mercados globais dificultaram a aquisição do ABN Amro ao erodir o valor de uma das propostas e obstruir o financiamento de outra. A disposição dos investidores nas próximas duas semanas será fundamental para o resultado dessa disputa.   O britânico Barclays admitiu na segunda-feira que sua proposta pelo ABN pode ser superada por um consórcio liderado pelo Royal Bank of Scotland. Mas, ao mesmo tempo, o Barclays alimentou a versão de que o grupo rival pode estar pagando demais pela instituição holandesa no atual cenário de aperto de crédito.   As ações de todos os bancos envolvidos na longa batalha pelo ABN foram atingidas duramente pela situação de restrição de crédito que atingiu os mercados, o que tem criado crescentes rumores de que o Barclays possa retirar sua oferta ou que o consórcio de bancos possa reduzir o valor de sua proposta.   O presidente do Barclays, Bob Diamond, disse esta semana que se o consórcio continuar firme com sua oferta, de cerca de 38 euros (cerca de R$ 101) por ação do ABN, conseguir os fundos e as aprovações regulatórias, "então esse preço vai provavelmente superar o nosso".   Mas acrescentou: "Temos que levar em consideração o contexto de que o ambiente do mercado mundo". O executivo disse ainda que muitas outras condições do mercado podem mudar antes de os acionistas do ABN votarem o assunto no início de outubro.   As ações do Barclays caíram 15% desde o final de julho, o que reduziu o valor da oferta do banco britânico para 59 bilhões de euros (cerca de R$ 158 bilhões), preço 19% abaixo do proposto pelo consórcio. Mas a possibilidade do Barclays retirar sua oferta ou do consórcio de bancos reduzir o valor proposto parece improvável nas próximas duas semanas, afirmam pessoas próximas do assunto e analistas.   O Barclays enfrentará multa de 200 milhões de euros (R$ 533 milhões) se o acordo inicial com a diretoria do ABN for desfeito ou se abandonar a oferta.   "Não vejo o que o Barclays tem a ganhar retirando-se da operação. Ainda é possível que o acordo do consórcio se rompa por motivos regulatórios ou de financiamento e, sendo esse o caso, não faz sentido sair", disse Antony Broadbent, analista da Sanford Bernstein.   O Royal Bank e seus sócios, o espanhol Santander e grupo belga-holandês Fortis, têm sido pressionados a reduzir o valor de sua proposta, segundo a imprensa. Refletindo a preocupação, as ações do ABN estão sendo negociadas a mais de 10% abaixo do preço proposto pelo trio de bancos.   A oferta do grupo está aberta até 5 de outubro, um dia depois de expirar a proposta do Barclays. Os mercados de crédito devem continuar em situação difícil até lá. O aperto tem elevado os custos para os bancos levantarem dinheiro e tem gerado falta de liquidez em muitos produtos financeiros, o que cria preocupação de que todos os três bancos do consórcio possam enfrentar custos maiores.   O Barclays deve receber apoio de seus acionistas para a transação com o ABN na sexta-feira. Enquanto isso, autoridades da Holanda devem tomar uma decisão sobre a oferta do consórcio até 17 de setembro e impor algumas condições para a aprovação do negócio.

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