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Apesar da alta das últimas semanas, dólar ainda não é bom investimento em 2012

Estou acompanhando o dólar nas últimas semanas e percebi que a cotação dele tem subido. É compensador comprar a moeda americana e utilizá-la como investimento?

FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV, DA PUC-SP, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 03h07

Investir na moeda americana não parecer ser uma boa alternativa no momento, e a decisão final depende também da análise da sua carteira de investimentos. A taxa do dólar realmente subiu nessas últimas semanas. Se considerarmos o nível de cotação atual, próxima de R$1,90, frente à taxa de 28 de fevereiro que era de R$1,7017, o crescimento foi de mais de 10%. No entanto, a alta acumulada de 2012 é de 1%. O cerco das autoridades econômicas à entrada de dólares em nosso mercado está dando certo e nesse período é uma das moedas que mais se desvalorizaram frente ao dólar.

As últimas notícias dão conta que o governo vai continuar comprando dólar para manter o nível atual da cotação dólar/real. Aparentemente, o governo está querendo estabelecer novo patamar do câmbio na faixa de R$1,90/US$. Por outro lado, o Boletim Focus, do Banco Central, que traz a perspectiva de mercado, trabalha com a taxa do dólar na faixa de R$ 1,79 para o fim de 2012 e de R$1,80 em 2013. O fato é que o Brasil é um país atrativo para os investidores internacionais. Embora sempre possa haver certa volatilidade, não há espaço para grandes alterações do câmbio.

Gasto em média R$ 2,5 mil entre aluguel e pagamento com condomínio. Estou pensando em comprar um apartamento, porque quero ter um bem próprio. Tenho pesquisado e a faixa de preço de um imóvel é de R$ 350 mil. Ainda não vi as condições que posso ter de financiamento. Mas qual a sua opinião sobre a alternativa de trocar o aluguel pela casa própria?

Possuir sua própria casa é o sonho da maioria das pessoas e eu concordo com isso. Assim, decidir deixar o aluguel e ter o seu próprio teto não é uma simples decisão financeira. Mas, para sua orientação, faça a pesquisa do imóvel que você deseja e faça simulação do valor da prestação considerando a sua condição atual.

Observe que você deve ter o valor da entrada que deve ser o mínimo de 15%, o que representa algo como R$ 55 mil. A prestação dever ter um piso próximo a R$ 2,1 mil. Aproveite o momento de redução de taxas de juros. A conquista de sua casa própria representa certo sacrifício, mas mantendo disciplina no seu orçamento você irá suportar o valor das prestações e será algo compensador.

Vou tirar férias em agosto e quero viajar para a Argentina. Já me assegurei sobre os preços das passagens e do hotel, mas tenho dúvidas sobre o valor que devo reservar para emergências. Qual a sua recomendação?

Viajar para a Argentina é mais tranquilo do que para outros países porque o real é uma moeda bem aceita por lá, assim você não terá grandes problemas de conversão da moeda. Hoje, com R$ 1 você obtém cerca de 2,40 pesos. O importante é você planejar detalhadamente a sua viagem. Não basta somente conhecer os preços das passagens e do hotel, lembre-se que esses preços podem sofrer alteração até a data de sua viagem.

Uma possibilidade é realizar as reservas agora para firmar os preços. No entanto, fique atento as condições de reserva porque dependendo de como isso for feito você não terá possibilidade de cancelamentos posteriores. Planejamento significa detalhar todos os gastos de cada dia da viagem, como hospedagem, alimentação, transportes, passeios, gorjetas e compras. Isto feito você saberá quanto exatamente vai precisar para as suas férias, assim poderá determinar quanto deve levar em dinheiro, usualmente nada além de dois ou três dias para as despesas imediatas como alimentação e transportes. Levar pouco dinheiro é por questão de segurança. O restante dos gastos pode ser realizado com cartão de débito internacional que permite pagamento de restaurantes, compras e até mesmo retirada de dinheiro em caixas. Mas, verifique os custos de retirada de dinheiro vivo. Outra opção é utilização do cartão de crédito, mas atenção ao fato que o IOF dos cartões de crédito é mais alto do que o cartão de débito. Os cartões podem dar conta das emergências e com mais segurança.

O financiamento de automóvel vai ter redução na taxa de juros?

Sim, as reduções anunciadas são para todas as linhas de crédito. Cartão de crédito, cheque especial, consignado, crédito pessoal, CDC Financiamento de bens e Veículos.

Embora a redução de juros seja uma boa notícia para quem estiver endividado, assim menores taxas representam um alívio no bolso, também pode representar um problema. Algumas pessoas podem achar que pelo fato de o crédito estar mais barato vire uma autorização para consumir. Isso não é uma prática adequada.

Antes do consumo, nós devemos nos perguntar: "Eu preciso disso ou eu quero isto?" Somente devemos gastar quando temos dinheiro. Financiar somente se realmente preciso ou quando tenho controle grande sobre as minhas contas.

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