Apesar da alta forte da inflação em janeiro, tendência é de recuo

A alta da inflação em janeiro, ainda que sem dúvida forte, não deveria, pelo menos até o fim do primeiro trimestre, servir de guia para a trajetória da alta de preços ao longo de 2016. Nas planilhas dos especialistas, a marcha inflacionária mostra tendência de recuo em 12 meses, fechando o ano entre 7% e 8% - mais uma vez acima do teto da meta. 

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2016 | 20h17

Ainda que fatores inerciais possam interferir, causando resistências ao recuo dos índices de preços - as previsões de alta para os preços livres, em 2016, permanecem acima de 7% -, duas das principais pressões exercidas em 2015 não estarão mais presentes em 2016. Tanto os preços monitorados quanto os da taxa de câmbio serão muito menores este ano. 

As projeções para os preços monitorados em 2016 mostram alta de cerca de 6%, ante 18% no ano passado. Já a taxa de câmbio, segundo as estimativas do momento, pode apresentar elevação de até 15% ao longo do ano, nada comparado com a variação de mais de 50% registrada em 2015. 

De acordo com o índice de difusão do IPCA, três em cada quatro preços registraram alta em janeiro. Mas os dois principais vilões do mês - alimentação e transporte - responderam sozinhos por 75% do índice. Transporte trouxe um componente sazonal, representado pelos reajustes de tarifas de ônibus urbanos, no começo do ano. 

Quanto aos alimentos, sobretudo os in natura - que puxaram o IPCA de janeiro e também sofreram impacto do aumento dos insumos importados, registrando a maior alta para meses de janeiro desde 1995 -, seus preços sobem tão rápido quanto descem, influenciados mais pela oferta do que pela demanda.

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