Denny Cesare
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Apesar da ameaça de multa, caminhoneiros mantêm bloqueios em rodovias pelo País

Sobe para 11 o número de Estados com vias parcialmente bloqueadas nesta terça; motorista que fechar estrada pagará multa de R$ 1.915

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2015 | 09h51

Atualizado às 13h23

SOROCABA - Caminhoneiros ligados ao Comando Nacional do Transporte (CNT) retomaram na manhã desta terça-feira os bloqueios em rodovias para pedir a saída da presidente Dilma Rousseff. As interdições estão sendo realizadas mesmo com a ameaça de multa de quase R$ 2 mil para os motoristas que atrapalharem o fluxo nas vias. Com bloqueios no Estado de Mato Grosso no início da tarde, sobe para onze o número de Estados com estradas parcialmente interditadas. 

Também no início da tarde, um grupo de caminhoneiros bloqueava parcialmente a Marginal do Tietê, em São Paulo. Segundo informações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a manifestação está na altura da Ponte do Limão, sentido Rodovia Castelo Branco, e ocupa a faixa da esquerda na pista central e duas faixas na direita da via expressa.

Com os primeiros bloqueios de rodovias em Mato Grosso, o protesto dos caminhoneiros contra o governo da presidente Dilma Rousseff voltou a crescer no início da tarde desta terça-feira. O número de trechos de rodovias com manifestações subiu para 39 em dez Estados. O levantamento inclui três bloqueios parciais na BR-158, em Mato Grosso, ainda não contabilizados pela Polícia Rodoviária Federal. No Rio Grande do Sul, o número de bloqueios parciais subiu para 11, segundo a PRF. As ações continuavam no Paraná (7 bloqueios), Minas Gerais (6), Santa Catarina (4), Tocantins, Mato Grosso do Sul e Bahia, com dois bloqueios cada, Ceará e Goiás.

No Estado de São Paulo, cerca de 300 caminhoneiros fecham os dois sentidos do km 131 da rodovia SP-332 (Prof. Zeferino Vaz), em Paulínia. Esse bloqueio não é contabilizado pela PRF pois está em uma rodovia estadual. A manifestação gera ao menos 5 km de congestionamentos na via que liga Paulínia a Campinas, de acordo com a polícia. A concessionária que administra o trecho, Rota das Bandeiras, pediu na Justiça a liberação do tráfego. Já no Ceará, os caminhoneiros interditam o quilômetro 318 da BR 222, em Tianguá. 

Nesta segunda-feira, a greve atingiu 14 Estados e, de acordo com balanço do governo, interditou totalmente cinco rodovias, provocando obstruções parciais em outras 22. A paralisação causou preocupação no Palácio do Planalto por ressuscitar a onda de protestos num momento em que a presidente Dilma sofre ameaça de impeachment. 

"Esse é um movimento com um viés claramente político", disse ontem o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "Não tem pauta de reivindicações e isso fez com que a maior parte dos caminhoneiros do País não aderisse à manifestação". Além de aplicar a multa de R$ 1.915,00, a Polícia Rodoviária Federal também foi orientada a desobstruir as estradas e garantir a segurança dos caminhoneiros que quiserem trabalhar.

Sem apoio. O presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo Silva, o China, disse que a entidade não apoia a mobilização do Comando Nacional. “Parar rodovias em meio à crise econômica não ajuda, só pode piorar. Respeito os movimentos sociais e as reivindicações, mas esse não é o momento oportuno para uma paralisação”, informou, através da assessoria.

Em nota, o Movimento Vem Pra Rua negou participação nos protestos. “O Movimento Vem Pra Rua apoia movimentos pacíficos, ordeiros, e que visem exclusivamente um Brasil melhor, livre de corrupção. Não apoiamos pautas específicas que não digam respeito aos nossos objetivos.” O Movimento Brasil Livre manifestou apoio pela rede social. 

(Com informações de Leonardo Augusto, Guilherme Mazieiro e Aline Torres, especiais para o Estado)

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