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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Apesar da atividade fraca, mercado de trabalho resiste

ANÁLISE: Fernando de Holanda Barbosa Filho*

O Estado de S.Paulo

28 de março de 2014 | 02h07

A taxa de desemprego divulgada pelo IBGE surpreende com nova mínima histórica para o mês de fevereiro (5,1%), apesar do baixo desempenho da atividade econômica. Do lado positivo, o rendimento real continua a mostrar força, com expansão na comparação com o ano passado e crescimento médio nos últimos 12 meses na faixa de 2% ao ano. Este ritmo é superior ao aumento da produtividade, em mais uma indicação que o mercado de trabalho continua em pleno-emprego.

No entanto, nem tudo são flores. A baixa taxa de desemprego esconde uma dinâmica "perversa" no que tange à população ocupada. Esta cresceu 2,2% em 2012, mas reduziu sua taxa de expansão para 0,7% em 2013. Nos últimos 12 meses, a população ocupada cresce apenas 0,3%. Mais importante, a forte desaceleração é um fenômeno dos últimos seis meses. Em agosto de 2012, o pessoal ocupado crescia a uma taxa de 1,8% no acumulado de 12 meses, ritmo que se desacelerou bruscamente para 0,3% hoje.

Assim, a baixa taxa de desemprego não reflete grande criação de emprego como no passado, sendo fruto do baixo crescimento da população economicamente ativa (PEA, trabalhadores empregados e procurando emprego). A PEA cresceu apenas 0,1% nos últimos 12 meses. Ou seja, o desemprego permanece baixo porque diversas pessoas estão deixando de procurar emprego, saindo de um mercado de trabalho que se encontra em pleno emprego. Uma explicação é a saída de jovens (grupo que tem reduzido a sua participação na PEA) para estudar. Outra possibilidade é que a elevação da renda esteja fazendo com que parte desses jovens não necessite encontrar um emprego. Ambas as explicações não são excludentes, mas sim complementares.

No entanto, se não devemos esperar o retorno à PEA dos jovens que estão estudando, não devemos esperar uma redução permanente da mesma. Nesse sentido, a baixa geração de vagas (0,3% em 12 meses) deve causar elevações da taxa de desemprego em futuro próximo.

* Pesquisador do Ibre/FGV

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