Edu Andrade/ ME
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Apesar da confiabilidade, Guedes questiona: 'por que não botar R$ 2 bi para fazer urna mais segura?'

Na opinião do ministro, está errado tanto quem diz que não pode mudar a urna eletrônica quanto quem diz que, sem mudança, o resultado das eleições não vale; ele também rebateu as acusações de que Bolsonaro estaria tentando dar um 'golpe'

Lorenna Rodrigues e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2021 | 20h50

BRASÍLIA e SÃO PAULO - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira, 20, que o presidente Jair Bolsonaro “ainda não saiu das quatro linhas da Constituição”. Em evento virtual da Genial Investimentos, Guedes defendeu que o chefe é uma pessoa transparente e disse que não seria visto “se vacinando escondido”. 

Até agora, Bolsonaro, que tem 66 anos, não se vacinou contra a covid-19. “O presidente Bolsonaro ainda não saiu das quatro linhas [da Constituição]. Tem muita gente que fala bonito e já saiu das quatro linhas [da Constituição]”, acusou. “Não houve um ato de violência em nenhuma manifestação de grupo de Bolsonaro”. 

Guedes rebateu as acusações de que Bolsonaro estaria tentando dar um “golpe” ao questionar a legitimidade das urnas eletrônicas. Na opinião do ministro, está errado tanto quem diz que não pode mudar a urna eletrônica quanto quem diz que, sem mudança, o resultado das eleições não vale. “Presidente tem visão de que tem desvios, tem suspeitas sobre eleição. Por que não podemos colocar R$ 2 bi para fazer uma urna eletrônica mais segura”, questionou. “Discussões são normais, por que vamos transformar em crise institucional? Se não aceitar resultado de eleição é outro papo”, completou. 

Guedes alegou que existem muitos lados e há excessos em todos. “Uma versão possível é que soltaram o Lula e querem tornar o 'presidente inelegível para esquerda ganhar?”, questionou. O ministro chegou a dizer que quem é contra mudanças na urna eletrônica é quem pode estar querendo “dar um golpe”.“Será que esses caras estão querendo dar golpe porque não querem direito de verificar voto?”, afirmou. 

Ao contrário do que afirma Bolsonaro e apoiadores, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já divulgou que as urnas eletrônicas são confiáveis e que o voto é auditável. 

Guedes afirmou ainda acreditar nas instituições, entre elas a presidência da República e o Supremo Tribunal Federal (STF) e que elas precisam corrigir possíveis excessos. “Falam que estou querendo ajudar no golpe, estou fazendo tudo dentro da lei”, completou. O ministro falou ainda não ter visto corrupção no atual governo e que, no passado, havia práticas como financiamento de campanha com desvio de recursos de estatais em partidos do chamado “centrão”, hoje aliado de Bolsonaro. “Vão acabar achando alguém envolvido em escândalo, mas não vejo presidente envolvido”.

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