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Apesar da crise, empresas de tecnologia crescem no exterior

Grupos brasileiros vêm expandindo sua atuação principalmente em mercados emergentes

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

A crise global, é claro, atingiu o mercado de tecnologia. A venda de computadores e de celulares se expandiu fortemente nos últimos anos no País, mas o último trimestre de 2008 já registrou uma aceleração. Apesar disso, a maturidade alcançada pela indústria durante o período de expansão tem permitido que as empresas brasileiras continuem a buscar oportunidades no exterior.No caso da Trellis, que fabrica equipamentos de comunicação de dados, a internacionalização permitiu reduzir o impacto da desvalorização do real. A empresa criou uma subsidiária em Hong Kong para acompanhar a produção terceirizada de seus produtos na China e para vender diretamente para o cliente brasileiro. Apesar de a área de projetos estar no Brasil, a maioria dos equipamentos da Trellis é produzida por parceiros chineses."A crise nos pegou um pouco de calças curtas", afirmou Cassio Spina, diretor executivo da Trellis. "Eu estava em Hong Kong para abrir a subsidiária quando o Lehman Brothers quebrou (em setembro). Pelo menos fizemos o investimento antes da mudança no câmbio." O escritório de Hong Kong acabou sendo importante para a Trellis quando o real começou a cair ante o dólar. A venda direta para os clientes brasileiros reduziu a cobrança de impostos em cascata, diminuindo o preço em cerca de 15%, compensando parte das perdas cambiais. A Trellis faz parte da Virtus, companhia que nasceu da fusão de oito empresas brasileiras de tecnologia no ano passado. Segundo Spina, o faturamento anual da Virtus está entre R$ 70 milhões e R$ 75 milhões, e a empresa, que ainda está sendo formada, emprega 450 pessoas.A Spring Wireless, que desenvolve aplicações via celular para empresas, também foi para a China. A empresa abriu um escritório em Hong Kong em novembro, e mais dois, em Xangai e em Pequim, em dezembro. A Spring Wireless tem 16 escritórios internacionais, que respondem por cerca de 35% do faturamento. "Os maiores são México e Rússia", disse Marcelo Condé, presidente da empresa.A operação asiática da Spring Wireless recebeu investimento de US$ 7 milhões. Ela deve faturar US$ 8 milhões este ano e a previsão para 2010 é de US$ 20 milhões. Recentemente, a Spring Wireless comprou a Okto, que desenvolve serviços via celular para o mercado de consumo, e levou os serviços da empresa para o México. A Spring Wireless fatura cerca de US$ 100 milhões por ano e a Okto, R$ 60 milhões.As empresas brasileiras de tecnologia estão indo para o exterior por motivos diversos, mas os movimentos mais recentes têm mostrado um ponto em comum: o foco em países emergentes. A Ação Informática, distribuidora brasileira de produtos de informática, foi convidada pela IBM e pela Oracle para criar uma operação na Colômbia. Ela também adquiriu uma empresa na Argentina, para atender os mercados argentino e uruguaio. "Muita coisa que a gente faz aqui e parece ?carne de vaca? pode ser exportado", afirmou Enio Issa, presidente da Ação Informática. Ele citou como exemplo agregar serviços à distribuição de produtos, que é uma tendência nova em outros países da região.O faturamento da Ação Informática atingiu R$ 322 milhões no ano passado, com previsão de crescimento de 40% este ano. A empresa estuda a possibilidade de abrir um escritório no Peru ainda neste trimestre. A empresa planeja investir cerca de US$ 20 milhões na aquisição de empresas na América Latina até 2012, com operações no Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai), Região Andina (Colômbia, Peru e Venezuela) e América Central (México e Caribe).

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