Apesar da crise, Lula diz que Natal dos brasileiros será bom

Presidente volta a ressaltar que País está preparado para enfrentar a turbulência nos mercados internacionais

João Domingos, de O Estado de S. Paulo,

10 de outubro de 2008 | 12h24

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a falar nesta sexta-feira que a crise econômica que atinge os mercados financeiros de todo o mundo não deverá afetar os investimentos no País e o Natal dos brasileiros. Em entrevista concedida a representantes de portais na WEB, entre eles o Limão, do Grupo Estado, o presidente destacou: "Continuo otimista de que o Natal dos brasileiros será muito bom. Porque a crise na economia global não deverá afetar o Brasil da forma como está afetando os Estados Unidos e a Europa. A crise é a maior de todas, mas o Brasil está preparado. Se chegar aqui, não terá os efeitos que já provocou nos Estados Unidos e na Europa."   Veja também: Como o mundo reage à crise  Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil    Na entrevista Lula criticou indiretamente a forma como a crise global vem sendo divulgada pela mídia. "O povo está vendo a crise pela TV. E é preciso ver que a crise é alimentada todos os dias pelo noticiário. É preciso ter cuidado com isso. Uma vez, morreu uma galinha em Marília (São Paulo) e já disseram que era a Gripe Aviária. O Brasil passou a vender menos frango. O mesmo ocorreu com a febre amarela. Disseram que tinha atingido o Brasil todo. Era só localizada. Além do mais, penso que hoje é diferente de 1998 (ano de forte crise nas bolsas mundiais)." E exemplificou com o fato de que hoje países como Rússia, Arábia Saudita, China, Índia e Brasil têm, juntos, mais de U$ 3 trilhões em reservas. "Hoje, só os Estados Unidos e a União Européia já gastaram mais de U$ 2 trilhões com a crise", emendou.   A respeito do otimismo que tem demonstrado neste momento de crise, Lula destacou que seu papel é ser otimista e disse: "Feliz o brasileiro nesse momento, porque não depende das economias dos Estados Unidos e da Europa, porque se preparou". "O País se preveniu, tem reservas em dólares, uma economia sólida, política fiscal consistente e muita responsabilidade".   O presidente também reiterou que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sobretudo as de infra-estrutura, não serão suspensas. "Não haverá cortes de investimentos." E afirmou que seu governo ajudará as empresas brasileiras na obtenção de créditos para as exportações. "Eu converso sobre a crise todos os dias. Esse é meu papel, é ver se temos de buscar saída".   Lula disse que por enquanto não há no Brasil a informação de bancos com problemas, em razão da crise, mas se tiver, "é como boletim de escola de menino, uma hora a nota ruim vai aparecer." Ele citou a medida que autoriza os grandes (bancos) a comprar as carteiras dos pequenos: "Ficamos sabendo que havia uma pressão dos grandes em cima dos pequenos. Então, o Banco Central vai vigiar essas operações, para evitar a ganância financeira".   Questionado se os bancos que especulam deveriam ser punidos, ele ponderou: "A idéia é muito mais de garantir as contas de quem tem o dinheiro no banco do que salvar bancos. Hoje há idéias mais modernas do que quando fizemos nosso Proer (programa de ajuda aos bancos realizado pelo governo de FHC no final dos anos 1990). Os bancos recebem a ajuda mas o Estado fica com seus ativos; quando a crise passar, revende-os."   Sobre a reunião do FMI neste final de semana, o presidente citou que sua equipe está orientada a dizer que não é mais possível continuar com o atual sistema de alavancagem dos empréstimos. E destacou que no Brasil a pessoa se endivida até nove vezes o que pode pagar, já nos Estados Unidos a proporção chega a até 35 vezes.   "Não dá. Tem de baixar, para sete, oito vezes apenas. O que há é uma grande especulação. Quando o petróleo chegou a U$ 140 dólares, perguntei à Petrobras porque estava tão alto. Responderam: 'por causa do consumo da China no futuro'. Especulam também com os preços dos alimentos e de todos os produtos," criticou.

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