Apesar da economia, relação dívida/PIB mantém-se

Apesar de toda a economia do governo, o que garantiu o cumprimento da meta de superávit primário, a dívida líquida do setor público ficou em setembro no patamar de 51,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Em agosto, a dívida líquida estava de 51,8% do PIB. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou que o BC estima que a relação dívida/PIB em outubro em comparação com setembro deve ficar estável em 51,4%, caso seja mantida a taxa de câmbio em R$ 2,26 e, para o ano, o BC ainda trabalha com uma meta de uma relação dívida/PIB em 51,5%. Ou seja, apesar de toda a economia, o governo praticamente conseguiu deixar estável a relação dívida/PIB.Em valores nominais, a dívida líquida do setor público fechou setembro em R$ 973,450 bilhões. Em agosto, a dívida estava de R$ 973,658 bilhões. A dívida líquida do setor público é representada pelo saldo líquido do endividamento do setor público não-financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), com o setor privado não-financeiro e com o resto do mundo. Os dados do Banco Central mostram ainda que a dívida líquida acumula no ano apenas uma queda de 0,3 ponto porcentual. A dívida bruta do governo geral fechou setembro em 75,1% do PIB. O porcentual corresponde a R$ 1,422 trilhão. A dívida bruta em agosto estava em 75,2% do PIB, que correspondiam a R$ 1,412 trilhão.Gasto com jurosAltamir Lopes disse que os gastos com juros nominais do setor público de R$ 14,461 bilhões em setembro foram os maiores para meses de setembro desde o início da série histórica em 1991. O chefe do Depec explicou que um dos motivos desta alta foi a queda de receitas com as operações de swap cambial (troca de títulos em juros por papéis cotados em dólar. "Em setembro do ano passado, estas receitas ficaram em R$ 1,4 bilhão e agora estão em R$ 312 milhões", disse.A queda é um reflexo direto da decisão do próprio BC de reduzir as operações de swap cambial com o intuito de garantir uma melhora do perfil de endividamento do setor público, já que diminui a parte da dívida influenciada pelo comportamento do dólar.Contudo, com esta medida, manteve-se a parcela da dívida indexada às taxas de juros. O resultado disso é que, no período de janeiro a setembro, as despesas com juros também bateram recorde para o período e ficaram em R$ 120,149 bilhões.Outro fator que ajudou a aumentar os gastos com juros no período de janeiro a setembro foi o impacto da valorização cambial sobre os ativos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) corrigidos pelo dólar. "No ano passado, a apreciação do câmbio foi de apenas 1,06% e agora está em 16,29%", disse o chefe do Depec.As despesas com juros em 12 meses até setembro, segundo Altamir, são as maiores desde os R$ 153,7 bilhões de novembro de 2003. Em setembro último, os gastos com juros em 12 meses ficaram em R$ 153,121 bilhões.

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