Apesar da falta de chuvas, Conab e IBGE projetam safra recorde

Estimativas mantêm a soja como principal cultura da produção agrícola nacional, com 47,1% de participação

Daniela Amorim e Tomas Okuda, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2014 | 09h29

SÃO PAULO e RIO - Apesar da falta de chuvas em algumas regiões (leia mais abaixo), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgaram nesta terça-feira, 11, suas novas projeções para a atual safra agrícola. Ambas as instituições apontam números recordes.

De acordo com o IBGE, a produção em 2014 será de 193,9 milhões de toneladas, 3,0% acima do ciclo anterior. A Conab projeta 193,6 milhões de toneladas para a produção de grãos 2013/2014, volume 3,6% superior ao registro anterior da companhia. Ambas as estimativas são de recorde.

Para o IBGE, cuja estimativa é a primeira para a atual safra, a participação do Centro-Oeste na produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas será de 40,8% em 2014. O Sul será responsável por 37,7%; o Sudeste, por 10,2%; o Nordeste, por 8,6%; e o Norte, por 2,7% da produção.

A soja continua sendo a grande vedete da produção nacional, aponta o IBGE. Sua participação na safra brasileira deve subir dos 43,4%, em 2013, para 47,1%, em 2014. No cultivo do milho, entre os mesmo períodos, está prevista queda de 42,8% para 39,0%. Arroz (com participação de 6,4% na produção deste ano), trigo (2,5%), feijão (2,0%), algodão (1,2%) e sorgo (1,1%) completam a lista de principais cultivos brasileiros.

A Conab, em sua quinta projeção para a safra 2013/2014, também dá destaque para a soja. A previsão é de aumento de 10% nessa cultura, o equivalente a 8 milhões toneladas a mais em relação ao ciclo passado. Ao todo, devem ser colhidos 90 milhões de toneladas do grão.

A área destinado ao plantio de grãos na safra 2013/14 deve alcançar 55 milhões de hectares, o que representa uma alta de 3,2% em relação à área de 53,26 milhões de hectares da safra 2012/2013 - aponta a Conab. A soja avançará 6,9% nesse aspecto. Arroz, feijão, algodão, mamona, girassol e amendoim segunda safra também apresentaram elevação. Em contrapartida, o milho primeira safra teve redução de 5,2%, passando de 6,8 milhões para 6,4 milhões de hectares.

Seca preocupa. Possíveis problemas de falta de chuva em algumas áreas produtoras preocupam os analistas da Conab. Em Goiás, "no sul e leste do Estado, houve regiões com longos períodos de estiagem, que podem acarretar em redução na produtividade dos grãos", informam os técnicos em documento divulgado nesta terça.

Na região do Matopiba (sul do Maranhão, leste do Tocantins, sudoeste do Piauí e oeste da Bahia) "há possíveis problemas por falta de chuva na Bahia e Piauí, para o milho e a soja, que se encontram em floração. No Maranhão e Tocantins, as chuvas estão suprindo as necessidades das lavouras".

Na Região Sul, informa a Conab, as chuvas foram favoráveis em janeiro. No entanto, principalmente no Paraná, "as altas temperaturas e a irregularidade das precipitações têm preocupado produtores, pois grande parte das lavouras ainda está em estágios críticos", comentam os técnicos.

Em janeiro, a situação climática foi favorável em Mato Grosso, principal Estado produtor de soja, em virtude do bom nível de chuvas. No entanto, o excesso de água pode estar provocando atrasos na colheita da soja e no plantio do milho e algodão segunda safras no oeste e centro-oeste do Estado.

Em Mato Grosso do Sul, as chuvas também foram favoráveis, porém há regiões que apresentaram redução na produtividade por causa da estiagem ocorrida em dezembro. Em Minas Gerais, houve uma alteração do cenário de dezembro, quando as chuvas foram abundantes. Em janeiro, as precipitações se concentraram nas regiões sul, no Triângulo Mineiro e em parte do noroeste. Em São Paulo, é a região centro-oeste do Estado que está apresentando as menores precipitações.

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