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Apesar da melhora, contas externas ainda são frágeis

O balanço de pagamentos de abril apresentou melhoria nas transações correntes, cujo déficit caiu de US$ 5,6 bilhões, em março, para US$ 3,4 bilhões, queda não acompanhada por aumento do resultado global do balanço, cujo saldo positivo foi 29% inferior ao do mês anterior. Todavia, é frágil a melhora nas contas correntes.

, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

A conta comercial deu uma grande contribuição, especialmente as exportações, que continuam crescendo em razão do preço das commodities e das compras da China, que aumentaram 36,4% em relação ao mês anterior. A China contribui com quase 20% das nossas receitas de exportação, e um recuo da economia chinesa as iria afetar gravemente. Não se registrou redução das importações, que continuaram crescendo em abril, em detrimento de nossa indústria.

Podemos prever que o déficit das transações correntes ficará abaixo das previsões (US$ 60 bilhões) e que a cobertura desse déficit será melhor do que se imaginava. O Banco Central (BC) estima que a entrada de Investimentos Estrangeiros Diretos ficará neste ano em US$ 55 bilhões; já no quadrimestre atingiu US$ 23 bilhões e nos últimos 12 meses, US$ 63 bilhões, o que mostra que a estimativa do BC é realista. Cabe notar que esses investimentos vão 62,2% para a área de serviços, 25,5% para a indústria e 12,3% para o setor primário. E dirigem-se muito para os setores mais rentáveis (telecomunicações e energia). Temos de considerar que a remessa de lucros e dividendos, no quadrimestre, ficou em US$ 10,8 bilhões, com aumento de 34,4% em relação ao quadrimestre de 2010. A relação entre essas remessas e as entradas de capital é de 45%, e era de 104% no mesmo período do ano passado, o que mostra um progresso.

No entanto, há um problema que traz preocupação: o aumento da dívida externa, que em abril - mês de captação reduzida - aumentou US$ 5,8 bilhões. A taxa de rolagem (captação menos amortização) dos empréstimos a médio e a curto prazos ficou em 490%, mas em maio, até o dia 25, subiu para 1.417%, quando a captação voltou a crescer, o que explica a reação das autoridades para obter uma redução dos empréstimos que aumentam a dívida externa, pois ela terá de ser reembolsada e o déficit em conta corrente terá de ser coberto.

Não podemos esquecer que estamos numa fase anormal do mercado financeiro internacional, em que a atuação do Fed (o banco central dos EUA) cria um excesso de liquidez que os países industrializados em crise não podem absorver, o que permite aos países emergentes absorver a custo baixo essa liquidez.

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