José Patrício/ Estadão
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ESG

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Apesar da pressão, real se desvalorizou menos que outras moedas emergentes em 2019

Levantamento foi feito pelo 'Estadão/Broadcast' com 44 moedas; a brasileira foi apenas a 9º que mais perdeu valor em relação ao dólar

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2019 | 09h00

BRASÍLIA -  Apesar da pressão maior sobre o câmbio, verificada principalmente nos meses de agosto e novembro, a desvalorização do real em 2019 foi menor que a de várias moedas de países emergentes. Levantamento feito pelo Estadão/Broadcast com base em 44 divisas negociadas no mercado spot (à vista) de Forex (câmbio internacional) mostra que o real foi apenas a nona moeda que mais perdeu valor ante o dólar americano. No topo da lista está o peso argentino, em meio à crise econômica que assola o país vizinho.

Até o fechamento de sexta-feira, dia 27, o dólar à vista acumulou alta de 4,50% ante o real em 2019 no mercado internacional. No mesmo período, a moeda americana subiu 58,85% em relação ao peso argentino e 16,29% ante o peso uruguaio. O peso chileno também apresentou movimento pior em relação ao dólar, com valorização de 7,87% da moeda americana em 2019. Mesmo em relação a divisas conversíveis, como a coroa sueca, o dólar apresentou valorização superior ao visto em relação ao real.   

O que está por trás da vaorização do dólar

O movimento de alta do dólar no exterior esteve ligado a fatores como o crescimento da economia americana, acima da média de outros países, e a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

No Brasil, o câmbio também foi influenciado ao longo de 2019 pelas idas e vindas da reforma da Previdência no Congresso e, no segundo semestre, por fatores técnicos. Com a Selic (a taxa básica de juros) nos menores níveis da história – atualmente, em 4,50% ao ano – tornou-se vantajoso para diversas multinacionais quitarem dívidas no exterior e se refinanciarem no Brasil.

Com isso, a partir de agosto essas companhias intensificaram um movimento de busca por dólares, para o pagamento dos compromissos em outros países. A Petrobrás liderou esse movimento, mas outras multinacionais também passaram a realizar o que o Banco Central chamou de “pré-pagamento” de dívidas.

Para fazer frente à maior demanda por dólar, o BC passou a realizar, no fim de agosto, leilões diários de moeda americana. Simultaneamente, a instituição promovia operações de swap cambial (reverso e tradicional), o que permitiu aos agentes interessados trocar posições compradas em dólar no mercado futuro pela moeda americana à vista – aquela que, de fato, era demandada pelas empresas.  

Essa dinâmica reduziu a volatilidade no câmbio, mas para alguns analistas também evitou que a cotação do dólar recuasse de forma mais intensa ante o real – algo que ocorreria se os leilões fossem apenas de venda à vista de dólares, sem os swaps.

Atuação do Banco Central

O fato é que, com as atuações no mercado, o BC evitou uma pressão. Tanto que, após ter subido 8,71% ante o real em agosto, pela cotação spot do mercado internacional, o dólar ficou praticamente estável em setembro (+0,27%) e recuou em outubro (-3,26%).

Em novembro, surgiu nova pressão interna para o câmbio. Como o resultado do leilão de petróleo do pré-sal ficou abaixo do esperado pelo mercado financeiro, a expectativa de entrada de recursos no Brasil diminuiu. Em reação, a alta do dólar ante o real voltou a se intensificar. Em novembro, a moeda americana subiu 5,15% ante a brasileira.

Em dezembro, o movimento arrefeceu. Apesar de o mês ser, tradicionalmente, de maior busca por dólares por parte de empresas e fundos em geral, os leilões do BC supriram a demanda. Até a última sexta-feira, o dólar cedia 4,31% ante o real em dezembro.

 

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