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Apesar da queda da Selic, juro ao consumidor não recua

O aumento no mês passado aconteceu especialmente no crédito pessoal e no financiamento para veículos

Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

27 de março de 2012 | 10h49

A redução da taxa básica de juros (Selic), decidida pelo Banco Central nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), ainda não chegou ao bolso do consumidor. O juro médio praticado nas operações de crédito livre, aquelas sem destinação específica, passou de 38% ao ano em janeiro para 38,1% no mês passado. Essa é a segunda alta consecutiva do juro médio no crédito livre. Para se ter uma ideia, só nas duas últimas reuniões, o corte da Selic foi de 1,25 ponto porcentual, para 9,75% ao ano, e o governo já antecipou que os juros chegarão nesse ano a 9% ao ano.

O aumento dos juros cobrados às pessoas físicas no mês passado aconteceu especialmente no crédito pessoal e no financiamento para a compra de veículos. Dados apresentados nessa terça-feira, 27, pelo Banco Central mostram que a taxa média do crédito pessoal, que inclui os empréstimos consignados, aumentou de 50,3% ao ano em janeiro para 50,6% anuais em fevereiro, a mais alta desde outubro do ano passado, quando estava em 52,2%. Nos empréstimos para a compra de veículos, o juro médio avançou de 26,8% para 27% anuais. Nesse caso, a taxa paga pelos consumidores foi a mais alta desde novembro do ano passado, quando estava em 27,2%.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, avaliou como temporário o aumento das taxas de juros dos empréstimos concedidos pelos bancos em janeiro e fevereiro. Ele ponderou que o custo de captação dos bancos está mais barato e que esse movimento vai se refletir no médio prazo na queda das taxas de juros dos empréstimos finais. "Os custos de captação mostram declínio e a tendência é que as taxas de juros acompanham no médio prazo", disse Maciel.

Mas nem todas as operações para pessoas físicas tiveram aumento do juro. No cheque especial, a taxa média caiu de 185,9% anuais em janeiro para 182,8% em fevereiro. No financiamento de loja, a taxa também recuou, e passou de 62,1% para 58,3% ao ano, no mesmo período. Nos empréstimos para as empresas, o sentido também foi de queda - de 28,7% para 28,6%.

O relatório do BC mostra que a alta dos juros para pessoa física é resultado do aumento das margens cobradas pelas instituições financeiras nos empréstimos, o chamado spread bancário - diferença entre o juro cobrado no crédito e as taxas pagas aos investidores. Na média, o spread passou de 27,8 pontos porcentuais em janeiro para 28,4 pontos porcentuais em fevereiro.

A estabilidade da inadimplência é outro dado que mostra que a decisão de elevar os juros ampliou a margem de ganho dos bancos. Dados do BC mostram que, no crédito livre, a taxa ficou estável em 5,8% em fevereiro. Já nas operações para pessoas físicas, a taxa de inadimplência ficou estabilizada em 7,6% fevereiro e, nas operações para pessoas jurídicas, a inadimplência ficou estável em estável em 4,1%. Pelo conceito do Banco Central, são considerados inadimplentes clientes que atrasam pagamentos de dívidas em mais de 90 dias.

Na semana passada, o Estado antecipou que, para forçar a redução dos juros pelos bancos privados, as instituições públicas cortariam suas taxas. O crédito ao consumo foi escolhido pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal como foco do pacote de corte das taxas. Cartão de crédito, cheque especial, crédito direto ao consumidor (CDC) e empréstimo consignado estão entre as operações que ficarão mais baratas.

Volume de crédito

Apesar da alta dos juros, o consumidor não deixou de procurar crédito. O volume total de crédito no sistema financeiro cresceu 0,4% em fevereiro relação a janeiro, atingindo R$ 2,034 trilhões, segundo os dados do BC. No primeiro bimestre do ano, o crescimento é de 0,2%. No acumulado de 12 meses, o estoque de crédito está em desaceleração, passando de uma alta de 18,4% até janeiro para um aumento de 17,3% até fevereiro.

Nesse total, o crédito para habitação, com recursos livres e direcionados, cresceu 2,3% em fevereiro ante janeiro, para R$ 210,653 bilhões. No primeiro bimestre deste ano, a alta é de 5,1%. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, o crescimento acumulado é de 44%.

Já o volume de crédito para financiamento de veículos caiu 0,1% em fevereiro ante janeiro. Em 12 meses até fevereiro, o crédito para compra de veículos subiu 6,6%. Já o saldo de empréstimos para compra de veículos por pessoas físicas passou de R$ 201,668 bilhões para R$ 201,473 bilhões em fevereiro.

O volume de crédito no País atingiu em fevereiro 48,8% do Produto Interno Bruto (PIB), estável ante o registrado em janeiro.

 

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