Apesar da queda da Selic, juro ao consumidor não recua

Mais uma vez o juro ao consumidor não acompanhou a queda da Selic, a taxa básica de juros da economia, que no mês passado caiu mais 0,25 ponto porcentual, acumulando um corte de 0,5 ponto no ano. De acordo com levantamento do Procon, de março para abril, a taxa média de juros para empréstimo pessoal permaneceu estável, variando de 5,380% para 5,377%, o que, no arredondamento, resulta no mesmo índice de 5,38% ao mês. Nas operações de cheque especial, a constatação é ainda pior. A taxa média de juros, em abril, foi de 8,30% ao mês, superando a taxa de 8,24% verificada em março. A redução da taxa de empréstimo pessoal praticada pelo HSBC - de 4,66% ao mês, em março, para 4,63% em abril - foi o que influenciou esta pequena diferença no resultado final. Os demais bancos avaliados pela pesquisa mantiveram as taxas do mês de março. A Nossa Caixa, afirma o Procon, é quem tem o menor juros para empréstimo, de 4,25%, enquanto o Banco Real continuou com a maior taxa - de 6,50% ao mês. No caso do cheque especial, o principal responsável pela alta foi o Unibanco, que elevou seu juro de 8,39%, em março, para 8,99% ao mês em abril. O Banco Safra continua praticando a maior taxa, de 9,29% ao mês, inalterada na comparação com março. Na outra ponta, a Caixa Econômica Federal manteve a menor cobrança, de 7,20% ao mês, sem modificação frente a março. Os dados coletados para a pesquisa se referem à taxas médias pré-fixadas para clientes não preferenciais, sendo que para cheque especial foi considerado o período de 30 dias. As instituições financeiras avaliadas, em 3 de abril, foram: Real, Santander Banespa, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Safra, Caixa Econômica Federal, Nossa Caixa, Unibanco e HSBC. CMPF Uma esperança para a queda do juro ao consumidor é a intenção do governo de isentar da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) os empréstimos feitos no sistema financeiro por pessoas físicas e jurídicas. A medida foi divulgada na terça-feira, 10, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, ainda não há uma definição se essa desoneração será feita de uma única vez ou se a alíquota da contribuição, hoje de 0,38%, será reduzida gradativamente nos próximos três anos, a partir de 2008. A isenção, de acordo com o ministro, vai atingir todas as modalidades de empréstimos, tanto para o cidadão comum quanto para as empresas. Na prática, a isenção da contribuição nos financiamentos ataca a chamada ´cunha fiscal´, considerada pelo sistema financeiro uma das causas principais do elevado custo do dinheiro no Brasil. O governo acredita que, com a redução do tributo, aliada a uma taxa básica de juros cada vez menor, será possível ter mais força política para cobrar dos bancos uma redução mais forte das taxas de juros cobradas de seus clientes.

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