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Apesar da queda, governo confia em forte recuperação até o fim do ano

Apesar da queda do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2008 e no primeiro trimestre deste ano, a cúpula do governo confia numa forte recuperação da economia brasileira, capaz de provocar uma surpreendente taxa de crescimento. Essa confiança está baseada na manutenção dos níveis de consumo durante a crise, ao contrário do que ocorreu em outras economias. "Os hiper e os supermercados não tomaram conhecimento da crise", resumiu uma alta fonte do governo ao Estado. "O comércio varejista, fora o setor de supermercados e veículos, está voltando aos níveis de crescimento de setembro do ano passado." Isso ocorreu, segundo economistas, porque, apesar da queda abrupta e profunda do ritmo de produção industrial, que chegou a 21% entre o pico de setembro e o fundo do poço em dezembro, a crise não afetou na mesma magnitude o nível de renda e de emprego. A taxa de desemprego atingiu seu menor nível justamente em dezembro, quando a produção estava no pior momento. A partir daí, entretanto, o desemprego tem crescido todos os meses, mas ainda se encontra no mesmo nível do fim de 2007, quando o Brasil estava numa fase expansionista. A receita de Imposto de Renda retido na fonte, que reflete o comportamento da massa salarial, também só começou a cair em fevereiro. Até agora, incluindo abril, são três meses de queda, mas, comparando com anos anteriores, está melhor agora, em 2009, do que em 2007. Esse conjunto de circunstâncias explicaria por que a disposição de consumir dos brasileiros não foi nocauteada como nas economias que estiveram no epicentro do estouro da bolha imobiliária. É esse vigor da demanda interna que, segundo interlocutores do governo, poderá animar a indústria a voltar a produzir no ritmo de 2008. A imagem do Brasil no exterior, atraindo investimentos e capital, também embala o otimismo governamental. O Planalto também vê indícios de que o agronegócio está voltando a investir pesado, além da recuperação das exportações de commodities - puxada pela China - e das negociações destravadas para o País receber novos e grandes investimentos. Apesar desse otimismo fundamentado, só o tempo poderá mostrar se o País entrou ou não em recessão e se já está ou não na fase de recuperação.

Sérgio Gobetti, O Estadao de S.Paulo

10 de maio de 2009 | 00h00

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