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Apesar da reação, exportações devem ter queda de 32% este ano

Pesquisa da Fiesp mostra que recuperação do segundo semestre será insuficiente para reverter perdas

Anne Warth e Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

11 de agosto de 2009 | 00h00

Apesar da pequena melhora das expectativas para as vendas externas, a pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) indica que os empresários esperam que as exportações encerrem o ano com uma queda de 32,2% na comparação com 2008, totalizando US$ 81,260 bilhões. Em 2008, as exportações aumentaram 13,3% em relação a 2007. "As exportações no primeiro semestre foram muito ruins, e agora os empresários estão vendo que no segundo semestre não serão tão ruins assim. Mas nada mudará o resultado do ano, que será bem inferior ao de 2008", explica o gerente do Departamento de Economia da Fiesp, André Rebelo.Embora a crise tenha provocado queda nas vendas da maior parte dos produtos industrializados exportados pelo País, alguns tiveram comportamento oposto. É o caso de açúcar refinado, cujas exportações aumentaram 26,5% entre janeiro e agosto em relação ao mesmo período de 2008, e do açúcar bruto, produto semimanufaturado e que faz parte da pauta de industrializados, cujas exportações subiram 64,3% no período.SAFRAUm dos motivos desse desempenho excepcional é a quebra da safra de açúcar na Índia. O país é o maior consumidor mundial do produto e, por causa da restrição de oferta no mercado interno, passou a importar açúcar brasileiro. No caso da carne bovina, o preço do produto em dólar aumentou 12,5% no mercado externo nos últimos dois meses, observa o economista da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Amilcar Lacerda de Almeida.O Bertin S/A, por exemplo, um dos maiores exportadores de carnes industrializadas, encerrou o primeiro semestre deste ano com crescimento de 3% a 4% nos volumes exportados e um acréscimo de 12% a 15% nas receitas na comparação com o mesmo período de 2008."Para nós houve uma melhora porque conquistamos mercados de concorrentes que deixaram de operar", explica o diretor de exportação da divisão de carnes, Evandro Miessi. Cauteloso, para o segundo semestre deste ano, ele acredita que a sua empresa deverá manter os volumes e as receitas de exportação em relação ao primeiro semestre. Segundo o executivo, o impacto do câmbio, que hoje não é favorável às exportações, está forte no setor. A arroba do boi é cotada em dólar e encarece o custo da matéria-prima básica, tirando a competitividade das exportações. "A arroba do boi brasileiro está hoje mais cara do que a do australiano."Apesar do câmbio desfavorável, Miessi aponta dois fatores que poderão impulsionar as exportações de carne neste semestre. O primeiro é o aumento no número de fazendas brasileiras autorizadas a exportar boi para a Europa, por causa de restrições sanitárias. O outro fator é a abertura do mercado chileno que, até quatro meses atrás, não comprava carne brasileira.PASSADO Mesmo com prognósticos mais favoráveis para o segundo semestre, os resultados do passado não são positivos. No primeiro semestre deste ano, as vendas externas de produtos industrializados totalizaram US$ 39,141 bilhões, com queda de 30% na comparação com o mesmo período de 2008 e de 38,4% em relação ao segundo semestre de 2008, aponta o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior."Tivemos uma queda cavalar", afirma o diretor secretário da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas, Carlos Pastoriza. No seu setor, a retração foi de 30% nas exportações do primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2008. A estagnação dos investimentos no mundo e a valorização do real em relação ao dólar fizeram a exportação despencar. "Não vejo melhora para o segundo semestre. O mundo desenvolvido ainda está numa situação complicada."Também as montadoras de veículos não enxergam uma reversão nas exportações para os próximos meses em razão da queda das compras feitas pela Argentina e pelo México, os principais importadores do carro brasileiro. Segundo a Anfavea, no início do ano, a expectativa era exportar 500 mil veículos e agora essa projeção foi revista para pouco mais de 400 mil unidades. Em 2008, foram exportados 735 mil veículos.

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