Petros Giannakouris/AP
Petros Giannakouris/AP

Apesar da recessão na Grécia, PIB da zona do euro supera o dos EUA

Economia da região cresceu 0,4% no 1º trimestre, com destaque para França e Espanha; na Alemanha, atividade desacelerou

AP

13 Maio 2015 | 10h40

A economia da zona euro está crescendo mais rapidamente do que a dos Estados Unidos e no seu maior ritmo em quase dois anos, apesar de uma desaceleração decepcionante na Alemanha e o retorno da Grécia à recessão. A economia dos 19 países que usam o euro cresceu 0,4% no primeiro trimestre do ano ante os últimos três meses de 2014, segundo dados preliminares divulgados pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. 

O resultado veio em linha com a maioria das previsões dos analistas e indicou aceleração em relação ao quarto trimestre do ano passado, quando o PIB da região subiu 0,3% ante o trimestre anterior.

O crescimento não era tão forte desde o segundo trimestre de 2013, quando a região também registrou expansão de 0,4%, na esteira da recessão mais longa da sua história. A região cresceu muito mais rapidamente do que os EUA, que viu sua economia se expandir a uma irrisória taxa trimestral de 0,1%, em grande parte por causa do mau tempo em muitas partes do país.

Outros pontos positivos incluem o crescimento de 0,3% registrado na Itália, em sua primeira expansão desde o terceiro trimestre de 2013, e uma surpresa de 0,6% na França, a segunda maior economia da zona do euro. Talvez o mais notável aumento tenha sido o da Espanha, que viu o PIB se expandir a um robusto 0,9%, confirmando seu status atual como o garoto-propaganda da reforma econômica na região.

O bloco tem desfrutado de bons ventos, como uma queda nos preços do petróleo, que atua como um corte de impostos para empresas e consumidores, e o aumento da exportação com a queda do euro. Para coroar tudo isso, o Banco Central Europeu lançou o seu há muito aguardado € 1,1 trilhão (US$ 1,2 trilhão) em estímulos monetários. As políticas orçamentárias em toda a zona do euro, no entanto, já não são tão rigorosas como eram há um ano.

O crescimento é um alívio para uma região que passou os últimos anos combatendo incêndios. Ainda assim, algum crescimento deverá ser ainda mais forte devido condições favoráveis. E com a vacilante economia global e a Grécia à beira do default, novamente, há preocupações nos mercados.

"Nós não interpretar o bom começo para o ano de 2015 como o início de uma retoma sustentável", disse Christophe Weil, economista do Commerzbank. "É improvável que o quadro econômico permaneça tão favorável."

Os números do primeiro trimestre escondem algumas decepções, incluindo o inesperado baixo crescimento na Alemanha, a maior economia da Europa. O país viu a sua taxa de crescimento trimestral recuar para 0,3%, de 0,7%. A taxa foi puxada para baixo principalmente por um aumento das importações, que pode não ser uma coisa tão má, já que aponta para um crescente apetite para gastar entre empresas alemãs e consumidores.

A Grécia está no meio de negociações prolongadas de resgate com os credores e muitos nos mercados acham que podem ver o país deixar o euro este ano. A economia grega encolheu 0,2% nos primeiros três meses. Após a contração de 0,4% no último trimestre de 2014, a Grécia está agora tecnicamente de volta à recessão, quase um ano depois que ressurgiu de uma crise tão grave como a Grande Depressão. A incerteza tende a sufocar o investimento e gastos.

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