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Apesar das críticas, Brasil atrai investidor

Captação de US$ 11 bilhões pela Petrobrás e sucesso do leilão de áreas de petróleo são sinais que o Brasil continua despertando interesse

FÁBIO ALVES, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2013 | 02h04

Com dinheiro em abundância circulando nos mercados globais e recentes medidas tomadas pela equipe econômica, como a alta de juros para controlar a inflação, os investidores estrangeiros começaram a olhar o Brasil com mais otimismo do que em 2012, quando outros países emergentes tomaram o posto de queridinhos do mercado internacional.

"A maré virou e os investidores começaram a ter uma visão mais benigna em relação à economia brasileira", disse Henri Alexaline, gestor de recursos da FM Capital Partners em Londres, que administra cerca de US$ 1 bilhão em ativos. Ele explica que ficou difícil argumentar contra a tese de que o humor dos investidores mudou depois que a Petrobrás captou US$ 11 bilhões em títulos de dívida.

A emissão da Petrobrás foi bastante concorrida, com uma demanda total pelos papéis da ordem de US$ 45 bilhões. No dia seguinte, a Agência Nacional do Petróleo encerrou a 11.ª rodada de licitações de áreas para petróleo e gás. Doze petroleiras do Brasil e 18 estrangeiras pagaram o valor recorde de R$ 2,8 bilhões em bônus de assinatura pelas concessões.

Alexaline ressaltou que, graças ao excesso de liquidez nos mercados internacionais neste momento, alimentado pelos programas de afrouxamento monetário de países desenvolvidos, o Brasil permanece um destino atraente. "Sinais recentes, como o aperto monetário iniciado pelo Banco Central, são encorajadores para os investidores", afirmou. Segundo ele, ao adotar, por exemplo, uma postura mais firme para controlar a inflação, as autoridades brasileiras ajudam a melhorar o ambiente econômico, essencial para aumentar a confiança dos investidores.

Para Bill Rudman, gestor da Blackfriars Asset Management em Londres, depois de a Bovespa ter tido um desempenho fraco nos últimos três anos (alta de 1% em 2010, seguido de queda de 18,1% em 2011 e de alta de 7,4% em 2012), as ações das empresas ficaram mais baratas do que em outros mercados da América Latina, como México, Colômbia e Chile.

"A maior parte das notícias negativas, como o crescimento baixo da economia e dos lucros das empresas, além do intervencionismo do governo em diversos setores, como o de energia elétrica, já está contabilizada nos preços das ações e de outros ativos", explicou Rudman, que ajuda a administrar US$ 400 milhões em ativos. "Olhando para a frente, não há mais tanta notícia negativa para afetar os preços na Bolsa, e com as ações sendo negociadas a um preço equivalente a dez vezes o lucro estimado para as empresas, o que é baixo, os investidores passam a olhar o Brasil mais favoravelmente."

Oportunidades. O desempenho fraco das aplicações brasileiras nos últimos anos abriu espaço para oportunidades irresistíveis para os investidores. "Há ainda muitos pontos negativos em relação ao Brasil, como um governo que gosta de interferir nos assuntos corporativos", diz Jack Deino, gestor sênior de dívida para mercados emergentes da Invesco Inc., que administra US$ 175 bilhões. "Tendo disto isso, há um preço para tudo e a dívida emitida por empresas brasileiras parece bastante barata."

Segundo Deino, o Brasil precisa de algumas reformas difíceis de se implementar antes das eleições de 2014. "Mas os investimentos em infraestrutura e da Copa do Mundo devem ajudar o País."

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