Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Apesar de aumento, preços da Petrobras continuam defasados

Reajuste da gasolina e do diesel não elimina a defasagem em relação ao preço praticado no mercado internacional

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2022 | 05h00

RIO - Apesar dos reajustes, os aumentos anunciados pela Petrobras na sexta-feira não foram suficientes para eliminar a defasagem dos preços da companhia em relação ao mercado internacional. 

Depois do aumento da Petrobras, a defasagem do diesel caiu de 21% para 9%, e da gasolina de 13% para 5%, no cálculo da  Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), que reúne dez importadores de médio e pequeno portes. 

Para equiparar os preços ao mercado externo, a Petrobras agora teria que elevar o diesel em R$ 0,52, contra R$ 1,37 antes do aumento, e a gasolina em R$ 0,22, ante a previsão anterior aos reajuste de R$ 0,57, segundo Sérgio Araújo, presidente da Abicom. 

Os aumentos da Petrobras, que começam a vigorar neste sábado, foram de R$ 0,70 para o diesel e de R$ 0,20 para a gasolina. 

O banco Credit Suisse considerou que o aumento reduziu a defasagem para 10%, no caso da gasolina, e para 14% no diesel. Já o Morgan Stanley observou que a diferença do preço da gasolina em relação ao mercado internacional ainda é alto, de 18%, contra os 23% de antes do aumento, enquanto o desconto do diesel despencou de 17% para 5%.

Segundo a Petrobras, manter os preços em paridade com o mercado internacional é fundamental para garantir o abastecimento do País, já que os importadores teriam dificuldade de importar os combustíveis a um preço maior no exterior e competir com os preços mais baixos da estatal no Brasil.

“É esse equilíbrio com o mercado global que naturalmente resulta na continuidade do suprimento do mercado brasileiro, sem riscos de desabastecimento, pelos diversos atores: importadores, distribuidores e outros produtores, além da própria Petrobras”, justificou a estatal.

A Petrobras vem alertando o governo há semanas que não teria como evitar o reajuste dos combustíveis, depois de manter o preço da gasolina congelado por 99 dias e o diesel a 39 dias. 

A preocupação da empresa é justificada pela escassez de diesel no mercado internacional, por conta da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e pelo aumento da demanda de gasolina pela proximidade das férias de verão no Hemisfério Norte. 

Sem preços atraentes para o importador, poderia faltar diesel no Brasil no segundo semestre, quando aumenta a demanda no mercado brasileiro por causa da safra agrícola.

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