Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Apesar de incerteza global, mais empresas preparam oferta de ações na Bolsa de SP

Até a semana que vem quatro companhias definem valores de papéis; ações de incorporadora têm procura quatro vezes maior que a oferta

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2019 | 10h00

A maior volatilidade nos mercados globais não tirou o interesse dos investidores no Brasil e mais empresas se preparam para fazer ofertas de ações na Bolsa. Além das mais de dez operações já iniciadas, outras potenciais candidatas estão em processo de contratação de bancos de investimento, como é o caso da XP Investimentos, emissão muito aguardada. 

Para as ofertas subsequentes de ações, os follow ons, o apetite dos investidores já começa a ser observado, sendo que nas transações menores, os fundos locais devem continuar ficando com grande parte das ações, segundo fontes.

A incorporadora Trisul define nesta quinta-feira, 12, os preços de suas ações no follow on de pouco mais de R$ 450 milhões. A demanda pelos papéis já supera a oferta em mais de quatro vezes.  

Na semana que vem será a vez da empresa de tecnologia da informação Sinqia, antes chamada de Senior Solutions, do Banrisul e do Banco Pan precificarem suas ações em operações subsequentes.

A oferta do Pan será utilizada para a Caixa Econômica Federal vender sua participação na instituição financeira, mas haverá, em paralelo, emissão de novas ações.

Também devem definir os valores neste mês a Cyrela Commercial Properties (CCP), braço de imóveis corporativos da construtora Cyrela, e a Eztec. Para o fim do mês, mais tardar início de outubro, a Caixa deverá vender suas ações detidas no Banco do Brasil (BB).

Os estrangeiros estão analisando as ofertas no Brasil, mas muitos ainda aguardam demonstração de que o País apresentará taxas mais robustas de crescimento. Para as ofertas no segundo semestre, conforme uma fonte de um banco de investimento, a participação dos estrangeiros deverá ficar por volta de 50% do total, seguindo a média observada nas emissões que ocorreram até julho.

No ano a oferta com maior participação de estrangeiros foi a da empresa de TI Linx, com 83%, fatia alcançada porque a listagem ocorreu, em paralelo, nos Estados Unidos.

Neste ano o volume de ofertas de ações de companhias brasileiras já somou cerca de R$ 55 bilhões, com três ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), sendo que uma, a da Afya, grupo de educação voltado para cursos de medicina, ocorreu nos Estados Unidos. As duas que estrearam na Bolsa brasileira foram a Centauro e a Neoenergia.

A partir de outubro é esperada uma movimentação maior de estreantes na B3. Já com protocolo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estão Vivara, Iguá Saneamento, BMG, que fará nova tentativa de IPO, e a varejista C&A, a primeira a optar pelo "IPO secreto", de acordo com regra recente da CVM - as informações sobre a empresa, como o demonstrativo financeiro e outros dados sobre sua atividade, não se tornarão públicas neste momento.

Ainda entre as ofertas iniciais, a Saneago e as construtoras Kallas e Cury já contrataram os bancos para estruturarem as operações. 

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