Sindicatos de metrô e ônibus mantêm paralisação em SP; veja como ficam outros serviços durante greve

Governo do Estado e Prefeitura conseguiram liminares contra paralisação dos sindicatos; decisão da Justiça favorável a liminares do governo do Estado e Prefeitura prevê multa de até R$ 937 mil por entidade

Douglas Gravas, Galeno Lima* e Gabriel Oneto*, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2017 | 18h29

O governo do Estado de São Paulo e a prefeitura da capital paulista conseguiram liminares na Justiça contra a paralisação dos funcionários das categorias prevista para esta sexta-feira, 28. Mesmo com a previsão de multa de R$ 500 mil a R$ 937 mil por entidade de ônibus e metrô, respectivamente, os sindicatos afirmam que vão manter a paralisação e recorrer na Justiça.

Os metroviários dizem que irão recorrer das liminares e que não consideram a ação do governo estadual procedente, pois a questão não compete à Justiça dos Estados. Os funcionários confirmaram a paralisação das linhas do Metrô amanhã, a partir da 0h desta sexta-feira, exceto da linha 4-Amarela, operada pelo consórcio ViaQuatro, deve funcionar normalmente.

O sindicato de motoristas e cobradores de ônibus também foi alvo de liminares da prefeitura de São Paulo. 

Segundo o Sindicato dos Metroviários, foram abertas duas liminares na Justiça para tentar evitar a paralisação do transporte metroviário na capital paulista nesta sexta-feira, uma pelo Metrô, na Justiça do Trabalho, e uma pelo governo do Estado, no Tribunal de Justiça do Estados de São Paulo.

Os sindicatos de motoristas e cobradores de ônibus também foram alvo de liminares da prefeitura de São Paulo. Pela decisão, eles deveriam manter uma frota mínima de 80% dos ônibus da rede municipal para linhas com itinerários que passem por hospitais, além de 60% para os horários de pico. Caso não cumpram a recomendação, a categoria pagaria multa de R$ 500 mil por hora.

Apesar da liminar, o presidente do Sindmotoristas, José Valdevan de Jesus Santos, afirma que a adesão dos profissionais será de 100%, e marcou um encontro de toda a categoria às 4h na Avenida Águia de Haia, na Zona Leste. "Nossa categoria é politizada, nós perdemos aposentadoria especial, em 2014 tínhamos conseguido estabilidade e também perdemos", afirma. "Não vai ter ninguém nas garagens. Multa a gente discute no poder judiciário, vamos fazer defesa, é uma multa abusiva, pela intransigência do prefeito", disse. 

Táxis e aplicativos de transporte. O prefeito de SP, João Doria, anunciou no final da tarde desta quinta-feira, 27, que os táxis da cidade rodarão nesta sexta-feira, 28, cobrando corridas apenas na bandeira 1. Além disso, o prefeito também afirmou que fornecerá transporte gratuito para todos os funcionários públicos que comparecerem ao trabalho amanhã. 

Quanto aos aplicativos de transporte, a 99 vai oferecer duas corridas no valor de até R$ 20 gratuitas na sexta-feira, para todo o Brasil, seja na modalidade POP ou na de táxi. Nas corridas que passarem deste valor, o usuário paga somente a diferença. 

A Uber vai oferecer, em São Paulo, duas viagens de R$ 20 de uberPOOL - modalidade em que a viagem é dividida por até três passageiros - entre às 7h e 11h e 16h e 20h. O Cabify ainda não informou se terá descontos específicos por causa da greve, mas desde o começo da semana o aplicativo oferece descontos de 20% para os usuários que usarem o código promocional Hospital Barretos. A ação é uma parceria com o Hospital do Câncer e garante uma doação de R$ 0,50 à instituição em cada corrida realizada. 

A Easy Taxi, por sua vez, não terá descontos especiais por conta da greve.

Hospitais. Na rede municipal e estadual de saúde, segundo o SINDSAUDE, os serviços de emergência serão mantidos. Serão afetados apenas os atendimentos não essenciais, e as consultas serão remarcadas. Em alguns hospitais irão ocorrer atos de apoio à greve no período da manhã, o que pode causar transtornos. A Santa Casa de São Paulo informa que funcionará normalmente.

Limpeza urbana. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseios e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo (SIEMACO), que reúne cerca de 120 mil filiados, os varredores e coletores de lixo são livres para aderir ou não à greve. O sindicato é a favor da paralisação e espera uma alta adesão dos trabalhadores da categoria. A prefeitura já havia informado que cortará o ponto dos grevistas e que só poderá fazer uma avaliação do movimento amanhã, mas espera que o sindicato não impeça quem quiser trabalhar, prejudicando a zeladoria da cidade.

Correios. De acordo com a direção da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), os funcionários dos Correios de todo o País entraramm em greve geral por tempo indeterminado já nesta quarta-feira, 26.  A Federação alerta que municípios do interior e regiões periféricas podem ficar sem serviços bancários e de Correios, já que expectativa é que mais de 200 agências deixem de abrir a partir desta quinta-feira, 27. 

Escolas públicas. Os sindicatos dos professores das redes estadual e municipal, a APEOESP e o SINPEEM, já divulgaram que aderiram à greve e que esperam uma grande participação da categoria. A rede municipal já ficou por 17 dias em greve por campanha salarial neste ano. Os sindicatos pediram para os pais não mandarem os filhos para as escolas. O governo do estado e a prefeitura já divulgaram que irão cortar os pontos dos grevistas.

Participe. O Estadão vai acompanhar nas ruas a greve geral marcada para essa sexta-feira, 28. Foi afetado pela paralisação? Fotografou ou filmou um fato e quer compartilhar? Envie por WhatsApp pelo número (11) 9-7069-8639 ou baixe aplicativo 'Você no Estadão' para participar da cobertura jornalística. Com ele, você envia vídeos e fotos. Sua colaboração pode ir parar nas páginas do jornal, no portal e nos aplicativos de notícias. O app está disponível para IOS e Android.

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