Apesar de queda na cotação do barril, petroleiras registram lucro

Balanços são marcados por cortes de despesas e de investimentos;petróleo caiu da casa dos US$ 100 para US$ 50

Altamiro Silva Junior e Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2016 | 23h31

LONDRES e NOVA YORK - As maiores empresas de petróleo dos Estados Unidos e Europa conseguiram surpreender o mercado com lucros maiores que o esperado no terceiro trimestre. Os informes de resultados refletem os baixos preços do barril da commodity e os executivos das companhias ressaltam que o cenário permanece desafiador, mas um esforço adicional de corte de custos e investimentos teve reflexos positivos nos números de empresas como a americana Chevron, a francesa Total e a britânica BP.

A avaliação de analistas é de que os esforços das petroleiras para se adaptarem a um ambiente de baixos preços do petróleo, que caíram da casa dos US$ 100, em meados de 2014, para US$ 50, já se refletem nos números do terceiro trimestre, principalmente das companhias europeias, que conseguiram apresentar números melhores que as americanas.

Um traço comum dos balanços dos dois lados do Atlântico é que os cortes de custos seguem como prioridade para as empresas, mesmo depois dos pesados ajustes nas despesas já feitos nos últimos trimestres. “Os resultados do setor de petróleo têm surpreendido positivamente, guiados por custos menores do que o esperado”, afirma o estrategista do RBC Capital Markets, Jonathan Golub.

A BP, por exemplo, planeja gastar US$ 1 bilhão a menos em investimentos este ano, enquanto a ExxonMobil, a maior dos EUA, cortou em 45% as despesas de exploração e de capital no terceiro trimestre na comparação com igual período do ano passado.

A BP foi uma das empresas que conseguiram surpreender ao anunciar lucro em alta. O ganho com custo de reposição foi de US$ 1,66 bilhão no terceiro trimestre deste ano, 35% maior que o de igual período de 2015.

Já o ganho da Royal Dutch Shell subiu para US$ 2,8 bilhões no trimestre ante perspectivas de lucro de US$ 1,8 bilhão.

Nos EUA, a Chevron, a segunda maior do país, conseguiu reverter prejuízo dos dois primeiros períodos de 2016 e apresentar resultado positivo entre julho e setembro, de US$ 1,3 bilhão.

Apesar dos resultados, o tom passado pelos executivos das empresas nas teleconferências é de cautela. Os preços do petróleo seguem em baixa e não há muitas certezas sobre se a tentativa da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de diminuir a produção para conter a sangria será realmente colocada em prática, já que depende da iniciativa de todos os membros do cartel.

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