Jonne Roriz/AE
Jonne Roriz/AE

Apesar de recorde de exportação, saldo da balança comercial do agronegócio cai 6%

Saldo positivo ficou em US$ 75,1 bilhões no ano passado, 6,22% abaixo do registrado em 2014; mesmo com a alta do dólar, queda do preço das commodities impactou o setor

Victor Martins, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2016 | 16h31

A balança comercial do agronegócio registrou saldo comercial positivo de US$ 75,1 bilhões em 2015, resultado 6,22% abaixo do registrado em 2014. Tal desempenho foi resultado de exportações de US$ 88,2 bilhões (-8,8% ante o ano retrasado) e de importações de US$ 13 bilhões (-21,3%). Na avaliação da secretária de Relações Internacionais de Agronegócio do Ministério da Agricultura, Tatiana Palermo, a atividade exportadora foi remuneradora para os produtores sobretudo pela alta do dólar, que compensou a queda do preço das commodities em nível mundial.

"Tivemos um ano positivo. Os principais produtos apresentaram recorde (de exportações) no ano passado", avaliou. A projeção do ministério para 2016 é de que o saldo comercial do agronegócio cresça 2%, puxado principalmente pelo setor de carne bovina, que deve ampliar sua participação em novos e importantes mercados.

Os dados do ministério mostram ainda que o volume exportado de soja em grão, milho, frango in natura, café e celulose bateram recorde no ano passado. Para a secretária, clima, qualidade da safra e condições de mercado favoreceram as vendas. O volume embarcado de soja em grãos cresceu 19% em relação a 2014 e chegou a 54,32 milhões de toneladas. A lista de recordes segue com farelo de soja, com 14,8 milhões de toneladas (aumento de 8%); milho, que alcançou 28,9 milhões de toneladas (+40%); café, com 2,09 milhões de toneladas (+1%); carne de frango in natura, com 3,89 milhões de toneladas (+7%) e celulose, com 11,97 milhões de toneladas (+8%).

Já a venda de carnes (bovina, de frango e suína) caiu 15,5%, apesar de ter sido o segundo produto na lista dos mais exportados no ano passado. A do recordista frango representou 48% dos US$ 14,7 bilhões exportados. Para 2016, embora os embarques de carne bovina tenham retrocedido em 2015 ante 2014, o ministério espera incremento de US$ 1,3 bilhão nas vendas externas, em razão da abertura de novos mercados, como os Estados Unidos e China. Além disso, entre fevereiro e março o ministério receberá uma comitiva de grandes investidores japoneses interessados em conhecer o sistema de produção de carne bovina no País.

O segmento de carne suína também deve colaborar com o incremento das vendas ao exterior em 2016. Tatiana Palermo relatou que está em fase de conclusão negociações com a Coreia do Sul e com a África do Sul e que ainda no primeiro trimestre esse trabalho deve apresentar os primeiros resultados.

A secretária celebrou o aumento da participação do agronegócio na balança comercial brasileira, que ficou em 46,2% do total - um recorde. Ela acrescentou que a China foi o principal destino dos produtos brasileiros do agronegócio, sendo que, de toda a soja exportada pelo País, 75% tiveram o país asiático como destino. Em dólares, o Brasil faturou US$ 21,28 bilhões só com as exportações para a China. O segundo principal destino foram os Estados Unidos (US$ 6,47 bilhões).

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) celebrou o desempenho do agronegócio em 2015 e associou os resultados à alta do dólar frente ao real e ao milho. "O ótimo desempenho da produção, principalmente de milho safrinha, associado à valorização do dólar frente à moeda nacional, elevou a competitividade do milho brasileiro no mercado externo e possibilitou alavancagem nas exportações do produto", observou a entidade, por meio de nota.

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