Apesar do acordo, consumidor ainda paga mais caro pelo álcool

O acordo entre governo e usineiros para conter a disparada das cotações do álcool ainda não alivia o bolso do consumidor, aponta a pesquisa semanal de preços dos combustíveis divulgada hoje pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na semana seguinte ao acordo, o preço do álcool anidro subiu 0,6%, em média, nos postos de gasolina brasileiros, atingindo R$ 1,735 por litro. Em São Paulo, onde se esperava um resultado mais rápido, já que o mercado está mais perto das usinas, a alta foi maior, de 1,6%. De acordo com a ANP, o preço médio no Estado ficou em R$ 1,522 por litro.O aumento de preços registrado na semana passada, no entanto, é bem inferior à registrada na semana anterior, de 4,5%, o que indica que o esforço conjunto conseguiu, pelo menos, estabilizar o mercado de álcool hidratado. O reflexo do acordo, porém, é mais visível no caso da gasolina, cujo preço médio nacional manteve-se em R$ 2,501 por litro, em comparação com a segunda semana de janeiro. Em São Paulo, o preço da gasolina também manteve-se praticamente estável, subindo de R$ 2,374 para R$ 2,376 por litro. O levantamento da ANP aponta que a alta registrada na semana passada reflete um aumento de 1,6% no preço praticado pelas distribuidoras, já que a margem de lucro dos postos caiu 6,8%, de R$ 0,204 para R$ 0,190 por litro. O ganho dos revendedores, no entanto, ainda é superior aos R$ 0,168 vigentes na última semana de dezembro. Representantes das distribuidoras alegam que ainda têm estoques antigos, comprados antes do acordo celebrado entre produtores e governo. Há duas semanas, os usineiros aceitaram estabelecer um teto de R$ 0,95 para o álcool hidratado e de R$ 1,05 para o anidro, que é misturado à gasolina. Segundo dados do Cepea/USP, o acordo vem sendo cumprindo no álcool anidro, que fechou a semana passada cotado a R$ 1,02. Mas o álcool hidratado continua acima do teto, fechando a semana passada a uma cotação média de R$ 1,01 por litro. De qualquer forma, os valores estão abaixo dos negociados na semana anterior, com queda de 2,53% e 0,87%, respectivamente.Tentativa de negociaçõesA demora no repasse das vantagens ao consumidor final vem preocupando o governo, que decidiu chamar revendedores e distribuidores para discutir suas margens de lucro. A medida que gerou críticas no setor: o presidente da federação do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Gil Siuffo, chegou a enviar carta aos ministérios de Minas e Energia, Agricultura, Fazenda e Casa Civil para demonstrar "estranheza" com a proposta. No texto, ele afirma que os preços são livres e a entidade não poderia forçar seus associados a reduzir seus ganhos, sob o risco de ser acusada de formação de cartel.

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