Apesar do câmbio, curtumes mantêm previsão de exportação

Ao contrário do calçadista, o setor de curtumes apresentou resultados positivos no ano passado, mesmo com o dólar em baixa. Para 2007, a expectativa é de ampliação das exportações, em razão do aumento da demanda mundial pelo produto. Segundo o presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Umberto Sacchelli, os grandes compradores mundiais dependem do couro brasileiro. "Com essa baixa (no dólar) nós vamos repassar os custos, porém vamos recuperar as margens somente em seis meses", disse, acrescentando que o setor tinha estabilizado seus custos com o dólar cotado a R$ 2,15.Segundo dados elaborados pelo CICB, as exportações brasileiras de couros em 2006 cresceram 34%, aumentando de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,87 bilhão. "A indústria de processamento de couros está aumentando cada vez mais sua participação no mercado mundial, a despeito das dificuldades representadas pelas altas taxas de juros, pela pesada carga fiscal e pela sobrevalorização do real sobre o dólar", destaca Sacchelli, salientando que o Brasil exporta aproximadamente 70% do couro produzido.O executivo ressalta que a cadeia produtiva coureiro-calçadista tem potencial para exportar US$ 10 bilhões e gerar 650 mil novos empregos nos próximos cinco anos. Segundo ele, o Brasil é um dos grandes produtores mundiais de couros - com o processamento ao redor de 45 milhões de unidades, além de maior exportador com embarques da ordem de 35 milhões de peças. "Essa posição de destaque é explicada por diversas vantagens comparativas, a começar pela abundante oferta de matéria-prima", explica.ExportaçõesOs principais destinos do couro brasileiro de janeiro a dezembro foram a Itália (participação de 26,86% e elevação de 52% ante 2005), China (participação de 20,30% e aumento de 52%) e Hong Kong (15,22% e incremento de 22%). Estados Unidos, Coréia do Sul, Vietnã, Indonésia, Taiwan e Países Baixos foram outros mercados importantes para o produto nacional. O ano de 2006 registrou salto nas vendas para a Indonésia, cujas importações cresceram 286%, saindo de US$ 9,1 milhões para US$ 35,1 milhões. Outro país da Ásia que manteve forte e contínuo aumento das compras do couro nacional foi o Vietnã, com aumento de 236%, de US$ 10,6 milhões para US$ 35,7 milhões.

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