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Apesar do pacote europeu, Grécia prevê mais recessão

Nos últimos dois anos, a Grécia perdeu 11% de seu PIB, cortou salários, demitiu, fechou escolas e começou a privatizar

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2011 | 03h06

Se o calote programado da Grécia foi saudado num primeiro momento com alívio pelos mercados, as condições impostas foram recebidas em Atenas como a constatação de que o país levará uma década inteira para voltar à normalidade.

Pelo acordo, a Grécia se compromete a fazer baixar sua dívida dos atuais 181% do Produto Interno Bruto (PIB) para 120% em 2020, quando voltaria a ser viável.

Mas, em Atenas, a avaliação não é a mesma dos líderes europeus. "Esse acordo não foi a solução. Ele foi a garantia de que teremos agora por mais nove anos colapso da economia e pobreza", disse o líder da oposição conservadora, Antonis Samaras. "Estamos agora amarrados em um sistema de austeridade contínua, privatização e supervisão por nossos credores", completou o deputado de esquerda Dimitris Papdimoulis.

Para os sindicatos, o acordo da UE foi a "perpetuação" da recessão. Nos últimos dois anos, a Grécia perdeu 11% de seu PIB. O governo cortou salários, demitiu funcionários, fechou escolas e começou um amplo processo de privatização.

Até o Fundo Monetário Internacional (FMI) duvida das políticas de austeridade como única saída e alerta que só reformas estruturais podem reequilibrar as economias dos países, voltando a garantir crescimento. "Mercados altamente regulados de bens e laboral, além de instituições inadequadas, estão deixando países menos competitivos", disse Bas Bakker, do Departamento da Europa do FMI.

Segundo Bakker, não há dúvida que o crescimento apenas voltará quando a dívida for solucionada. Mas alerta que isso não pode ser feito apenas com cortes de gastos. Para o economista do FMI, apenas uma economia mais competitiva permitirá a um governo superar seu déficit. "E isso leva tempo para ocorrer", disse.

De acordo com o instituto Bruegel, com sede em Bruxelas, não há dúvidas que a dívida impacta no crescimento. Mas, assim como o FMI, o instituto diz que a solução passa pela promoção de uma nova política industrial e atração de investimentos, e não apenas demissões e cortes de salários. "Sem crescimento, a Europa corre o risco de ter de lutar permanentemente contra a dívida", alertaram os pesquisadores Zsolt Darvas e Jean Pisani-Ferry. "Sem o crescimento, a sustentabilidade do modelo social europeu será colocada em questão", concluíram os economistas em sua pesquisa.

O economista da Universidade Harvard, Kenneth Rogoff, é mais radical e aposta na saída da Grécia da zona do euro na próxima década. / J.C.

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