Apesar do resgate de ministros da Bolívia, população fecha fronteira

Apesar do resgate pelo Exército de três ministros da Bolívia que eram mantidos reféns no município boliviano de Puerto Suárez, divisa com Corumbá no Mato Grosso do Sul, os moradores daquela cidade boliviana fecharam, desde a madrugada de hoje, a fronteira com o Brasil. A manifestação conhecida por "Paro Cívico" é organizada por 16 prefeitos bolivianos e reivindica a legalização da siderúrgica do grupo brasileiro EBX em Puerto Suarez, além de garantias de que seja mantida a licitação da vizinha jazida de ferro de Mutún, uma das maiores do mundo, que está prevista para maio. Os ministros ficaram reféns das 19h30 de ontem às 4h de hoje. Os três ministros bolivianos - do Planejamento, Carlos Villegas, do Desenvolvimento Econômico, Celinda Sosa, e de Minas, Walter Villarroel - foram seqüestrados por habitantes de Puerto Suárez para pressionar o governo de Evo Morales a conceder uma autorização de funcionamento para a empresa brasileira EBX. Os ministros foram resgatados e levados para um local seguro. Habitantes e dirigentes de Puerto Suárez seqüestraram na noite de terça-feira os ministros . A empresa brasileira instala fornos de fundição à base de carvão vegetal como parte de um projeto de exploração das jazidas de ferro de El Mutún, ainda em estudo. El Mutún possui quase 40 bilhões de toneladas de ferro e 10 bilhões de toneladas de magnésio, o que representa 70% das reservas mundiais, segundo os especialistas. San Miguel exigiu a libertação imediata dos ministros, que viajaram a Puerto Suárez com o objetivo de evitar uma greve. O governo denunciou o caso ao procurador-geral, Pedro Gareca, que iniciou uma investigação. O processo de licitação de Mutún, iniciado no governo anterior, foi suspenso pela administração do presidente Evo Morales, que também decidiu rever a licença ambiental da empresa brasileira. A EBX opera na Bolívia sob o nome de MXX com base em acordos assinados com as autoridades da região antes da conclusão do processo licitatório. O governo boliviano considera que a empresa comete uma série de irregularidades nas áreas ambiental e política e se recusa a negociar nesta situação, já que a EBX se baseia em acordos estabelecidos apenas com as autoridades locais. O governo deseja que os fornos funcionem com base em gás natural, recurso do qual a Bolívia é produtora.

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