Apesar do temor com a Europa, Bovespa dribla exterior e sobe

Cenário:

ALESSANDRA TARABORELLI , O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h11

A Bovespa ampliou, perto do fechamento ontem, a alta verificada durante a maior parte do dia, logo após o conclusão da Oferta Pública de Aquisição de Ações Ordinárias da Redecard. Antes, a melhora pontual do índice Dow Jones, na Bolsa de Nova York, tirou a volatilidade do Ibovespa e o ajudou a se firmar em campo positivo - o mesmo não aconteceu com as bolsas norte-americana, que terminaram o dia com baixas. A mudança da direção dos papéis da Petrobrás e da Vale - para positivo - também contribuiu para o movimento. O mercado internacional voltou a trazer tensão aos negócios, com Grécia e Espanha no foco das atenções.

O Ibovespa encerrou com valorização de 0,96%, aos 61.909,99 pontos. No mês e no ano, o ganho acumulado é de 8,50% e 9,08%, respectivamente. O giro financeiro ficou em R$ 17,301 bilhões, sendo R$ 10,464 bilhões referentes à OPA da Redecard. Nesta operação, foram negociadas 298.989.137 ações ordinárias ao preço de R$ 35,00.

Para um experiente profissional, o que explicou o avanço da Bolsa na segunda etapa dos negócios foi a OPA da Redecard. Segundo ele, muitos fundos que tinham grande participação da Redecard em carteira venderam os papéis e foram às compras para realocar seus recursos. "Este deslocamento da Bolsa se explica pela leve disposição dos investidores em ir às compras, já que na semana passada a Bolsa caiu e deixou alguns papéis ainda mais baratos", concluiu.

No ambiente doméstico, os mercados de câmbio e de juros foram os que mais esboçaram reação à influência da deterioração externa, ontem. O dólar no balcão subiu 0,10% ante o real, cotado a R$ 2,0260, em linha com a trajetória apresentada no ambiente internacional pela moeda norte-americana. Os investidores também continuaram na defensiva diante da ameaça feita na sexta-feira passada, em Londres, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) se houver necessidade de conter a entrada de capital especulativo no País.

Nos juros futuros, a maior parte das taxas apresentou leve viés de baixa, também sob influência de notícias ruins da Europa, ofuscando o aumento das estimativas para a Selic no fim de 2012 e a piora das expectativas para a inflação de curto prazo, conforme a pesquisa Focus, do Banco Central. A atenção dos investidores no mercado de renda fixa nesta semana está voltada para a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, na quinta-feira.

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