Apesar da queda de juros, fundos ainda ganham da poupança

Apesar da queda de juros, fundos ainda ganham da poupança

Caderneta perde em rentabilidade para os fundos com taxa de administração inferior a 2,5%

Jéssica Alves, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2016 | 18h44

O corte da taxa básica de juros, a Selic, de 14,25% para 14,00%, mantém os fundos de investimento e as demais aplicações em renda fixa como investimentos mais indicados para quem quer ter um bom retorno com baixo risco. A poupança continua sendo vista por especialistas como última opção porque rende bem menos que a Selic. Em 2015, o brasileiro que investiu na caderneta de poupança perdeu 2,35% do seu poder de compra, uma vez que a rentabilidade desse tipo de investimento alcançou 8,07%, ante uma inflação de 10,67%. 

Com a primeira redução da Selic pelo BC após quatro anos de altas, se inicia um novo ciclo de reduções que vai gradativamente reduzindo a vantagem que as aplicações que acompanham a taxa, como Tesouro Direto e os fundos de investimentos, levam sobre a poupança.

Mas uma equiparação da caderneta aos fundos de investimentos só deve ser vista em meados de 2018. “Para a poupança começar a valer a pena, a Selic precisaria estar bem abaixo. No curto prazo, não tem como melhorar”, afirma Miguel de Oliveira, diretor de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac.

Com a Selic atual, a rentabilidade da poupança perde para os fundos de renda fixa cujas taxas de administração sejam inferiores a 2,50% ao ano. Michael Viriato, professor do Insper, explica que, na maioria das vezes, as instituições já mostram a rentabilidade líquida do fundo, facilitando a comparação com a poupança.

Viriato explica que “mesmo que a Selic caia, não tem como fugir porque a rentabilidade da poupança está associada a ela”. A taxa de juros básica precisaria retornar aos 8% para a poupança render 70% da Selic e ser tornar mais atrativa. A remuneração da poupança é formada por uma taxa fixa de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) - esse cálculo vale para quando a taxa básica de juros (Selic) está acima de 8,5% ao ano.

Diante de possíveis quedas consecutivas da taxa, André Perfeito, da Gradual, recomenda apostar agora em títulos prefixados do Tesouro Direto, que estabelecem na hora da contratação qual será a rentabilidade, e do Tesouro IPCA, atrelado à variação da inflação. Para ele, uma estratégia híbrida, que misture títulos pré e pós fixados, garante mais segurança ao investidor.

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