Apetite dos emergentes está crescendo, diz KPMG

Menos afetadas pela crise econômica mundial do que suas congêneres dos países desenvolvidos, as empresas dos mercados emergentes estão assumindo uma postura cada vez mais protagonista na área de fusões e aquisições em nível global. Segundo um estudo internacional da KPMG, uma das "big four" do ramo de consultoria, o número de transações realizadas pelas emergentes cresceu 25% no primeiro semestre deste ano. A pesquisa mostra que foram realizadas 243 aquisições de empresas de economias desenvolvidas por companhias emergentes, contra 194 no mesmo período de 2009. "O levantamento confirma que o nível de confiança para aquisições está retornando mais rapidamente nas economias emergentes do que nas desenvolvidas", afirma Luís Motta, sócio da área de fusões e aquisições da KPMG no Brasil.

Clayton Netz, clayton.netz@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2010 | 00h00

Segundo o relatório The Emerging Markets International Acquisition Tracker, documento que rastreia as aquisições feitas pelos países emergentes no mercado internacional, o impacto das turbulências iniciadas em setembro de 2008 reduziu o ímpeto comprador das empresas dos países ricos. As 748 operações realizadas no sentido desenvolvidos-emergentes, entre janeiro e junho deste ano, são apenas 9% superiores às registradas no primeiro semestre de 2009. De acordo com Motta, no início da década, os negócios feitos por companhias emergentes nos países desenvolvidos representavam apenas 22% das compras feitas pelas empresas do mundo desenvolvido. Neste semestre chegaram a 32%.

O desempenho emergente foi puxado pela Índia. No semestre passado, os 50 negócios fechados pelas empresas indianas representam mais do que o dobro do contabilizado entre janeiro e junho de 2009. Em segundo lugar veio a China, com um crescimento mais moderado de 30%, totalizando 39 empresas adquiridas nos seis primeiros meses de 2010.

Embora não tenha apresentado um desempenho brilhante, o Brasil, pelo menos, manteve um desempenho estável, com cinco aquisições, na média dos dois semestres anteriores. Desde 2003, mostra o estudo da KPMG, as aquisições de operações nos países ricos feitas por empresas brasileiras chegaram a 77 companhias. No auge, em 2008, houve a compra de 25 empresas. Em 2009, em função da crise, o número caiu para dez.

A proporção da queda foi praticamente idêntica à verificada em relação à da compra de empresas locais por companhias de 15 países do primeiro time. Entre 2008 e 2009, o número de fusões e aquisições no Brasil, capitaneado por empresas originárias desse grupo, passou de 111 para 50. Os números do primeiro semestre de 2010 mostram que, embora num ritmo um pouco mais lento, os compradores externos estão de volta, com 44 operações concluídas.

Vigor. O estudo da KPMG também considerou os negócios entre companhias do bloco emergente. Desde 2003, ocorreu uma média de 202 transações emergente-emergente por ano, totalizando 1 518 operações até aqui. O Brasil foi alvo de aquisições por parte de 52 empresas de origem emergente. Motta avalia positivamente esse movimento. "A importância das transações entre empresas de países emergentes está crescendo", afirma. "Um novo tipo de multinacional está surgindo, sendo capaz de testar novos produtos em algumas das nações mais populosas do mundo." Para ele, a internacionalização entrou mesmo no radar dos emergentes. "O vigor de economias como a da China e a do Brasil ajuda a impulsionar esse processo", diz Motta.

ENGENHARIA

Mills vai investir R$ 1,1 bi em aquisições e expansão

A carioca Mills, empresa de soluções de engenharia, investirá R$ 1,1 bilhão até 2012 em aquisições e na ampliação do número de filiais. Atualmente, a Mills, que faturou R$ 460 milhões em 2009 e emprega 4 mil funcionários, conta com 20 operações no País e deve chegar a 38 até o ano que vem. A empresa vem crescendo em média 45% ao ano desde 2007, quando recebeu aporte de capital de dois fundos de private equity, o Exxon e o Investidor Profissional. "Foi a forma que encontramos de conseguir financiamento para um negócio de capital intensivo", diz Ramon Vazquez, presidente da Mills. Mas não foi suficiente, segundo ele, para acompanhar o aquecimento de setores em que a Mills está bem posicionada, como infraestrutura e construção civil e industrial. A solução foi um IPO na Bovespa, em maio passado, quando a Mills levantou R$ 685 milhões. O reforço de capital chega num momento em que a empresa fechou importantes contratos para participar de obras como a da Ferrovia Norte- Sul e Ferrovia Transnordestina.

TURISMO

Be Happy cresce com roteiros para lua de mel

A Be Happy Viagens, agência paulista especializada em roteiros de luxo, de São Paulo, levou dez anos para achar seu nicho de negócios: o aquecido mercado de casamentos. "Percebi o crescimento desse mercado e resolvi investir nele", diz Jacque Dallal, dona da agência. Segundo ela, as empresas que organizam casamento só atendem os casais até a festa nupcial. Desde 2006, quando passou a oferecer roteiros especiais para destinos como a Polinésia Francesa, Turquia ou Toscana, a um custo médio de R$ 25 mil por casal nos pacotes de até 15 dias, a Be Happy viu seu faturamento dobrar. No ano passado, a agência faturou R$ 1,7 milhão, dos quais 65% vieram dos pacotes de lua de mel. Para 2010, a expectativa é chegar a R$ 2 milhões.

FEIRA DE ALIMENTOS

Fabricantes vão à França com lição de casa feita

Cerca de 100 empresas brasileiras participarão do Salon Internacional de l"Agroalimentaire (Sial), uma das principais feiras de alimentos do mundo, que será realizada de 17 a 21 de agosto em Paris, apoiadas por extenso estudo de 107 páginas elaborado pela unidade de inteligência competitiva da Apex. O documento identifica potenciais negócios em 12 grupos de produtos de 46 países. Segundo a Apex, na última Sial, em 2008, a delegação brasileira teria fechado cerca de 5 mil contratos equivalentes a US$ 1 bilhão.

COMÉRCIO

Empresas brasileiras testam mercado chinês

A Brazilian Gate, empresa gaúcha de promoção de marcas, montou um showroom permanente para mostrar produtos de empresas brasileiras aos chineses em Xangai. A ideia dos empresários Antônio João Freire e Tânia Caleffi, responsáveis pelo projeto, é oferecer um teste de aceitação de produtos no mercado oriental. Inicialmente, o stand de 300 metros quadrados conta com a participação de empresas como Mormaii, Dado Bier, Brasil Sul, Solarium, Ângela di Verbeno e Duelo.

FÓRUM EMPRESARIAL

Colombiano debate com brasileiros em Cartagena

O recém-empossado presidente da Colômbia, Juan Manual Santos, será uma das atrações do 15º Meeting Internacional promovido pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), de João Doria Jr., marcado para o período de 8 a 12 outubro no hotel Sofitel, na cidade de Cartagena. No evento, que contará também com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é esperada a participação de cerca de 160 CEOs brasileiros e colombianos, que discutirão o crescimento econômico sustentável da América Latina, segurança pública e educação.

DRAGÃO ENCORPADO

US$ 8,5 bi

foi o lucro apresentado pela China Mobile, maior operadora de telefonia móvel do mundo em número de assinantes, no primeiro semestre de 2010. No período, o faturamento da

empresa chegou a US$ 33 bilhões

REVESTIMENTO

713,4 mi

de metros quadrados é a produção anual brasileira de cerâmicas. O Brasil é o segundo maior produtor mundial do setor, atrás apenas da China M

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