Evaristo Sa/AFP
Evaristo Sa/AFP

‘Apetite tem, mas é importante retomar a confiança’

Novo presidente do BB diz que instituições oficiais vão estruturar operações que somam R$ 1,5 trilhão em investimentos em infraestrutura

Entrevista com

Paulo Caffarelli, presidente do Banco do Brasil

Adriana Fernandes, Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 22h18

BRASÍLIA - O novo presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, recebeu do presidente em exercício, Michel Temer, orientação para os bancos públicos atuarem de forma conjunta para a retomada da economia brasileira. Segundo ele, as instituições oficiais vão estruturar operações que somam R$ 1,5 trilhão em investimentos em infraestrutura de todos os setores, com o objetivo de atrair o capital estrangeiro. “Apetite estrangeiro tem, mas é importante a retomada da confiança”, disse Caffarelli, depois de tomar posse nesta quarta-feira, 1º, em cerimônia no Palácio do Planalto. Veja os principais trechos da entrevista:

Qual foi a orientação do presidente em exercício Michel Temer aos presidentes dos bancos públicos antes da posse?

Eu, Maria Silvia (BNDES) e Gilberto Occhi (Caixa) vamos ter uma agenda conjunta; os três bancos públicos, visando a retomada do crescimento econômico do País. Serão desenvolvidas estruturação de operações, com enfoque na infraestrutura, na atividade produtiva, nos investimentos. Gostaria que os bancos privados viessem junto conosco nessa empreitada.

Como será a atuação do Banco do Brasil nesse sentido?

O Banco do Brasil atua em praticamente toda a cadeia, nas grandes empresas, nas médias, no agronegócio, com pessoas físicas. O banco tem uma capilaridade muito forte, o que dá destaque às ações do banco em todo o País. O Banco do Brasil vai continuar fazendo tudo o que já vinha fazendo, mas o ponto mais importante é a orquestração que vamos fazer entre os bancos – e convidamos os bancos privados para se juntar a nós – para estruturar as operações que possam atrair o capital estrangeiro para o País. Os projetos de infraestrutura de todos os segmentos envolvem investimentos da ordem de R$ 1,5 trilhão. Apetite estrangeiro tem, mas é importante a retomada da confiança.

De que forma o resultado do PIB vai determinar quais medidas precisam ser feitas?

Esse PIB (anunciado ontem), com queda de 0,3% foi melhor do que o estimado pelo mercado (média de queda de 0,8%) e teve reflexos positivos em termos de exportações líquidas, de 1,6%, e alguns destaques na questão da agropecuária, petróleo e de veículos, principalmente para a América do Sul. A indústria nacional, embora tenha caído menos do que o previsto, continua caindo, e teve um efeito extraordinário da migração das térmicas para hidrelétricas, melhorou em 1,9%. Ficou muito claro que a lição de casa hoje tem de ser feita no investimento, no consumo das famílias e na indústria manufatureira. Para nós, é uma fotografia que mostra que o desafio que temos neste momento é atuar dentro da atividade produtiva brasileira e continuar estimulando as exportações. O ponto mais importante de tudo isso é a infraestrutura.

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