Apex-Brasil quer impulsionar atuação das tradings

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira, disse hoje que o governo trabalha para impulsionar a atuação das tradings e das comerciais exportadoras no Brasil. Segundo ele, há um grupo de trabalho, formado pela Apex, Ministério do Desenvolvimento e BNDES, responsável por propor medidas para o desenvolvimento do setor de trading no Brasil.

RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

14 de dezembro de 2009 | 17h46

Teixeira antecipou que devem ser propostas mudanças na legislação brasileira e a criação de uma linha de financiamento do BNDES para as tradings companies e comerciais exportadoras. "Elas conhecem os canais de distribuição, conhecem os mercados internacionais e o sistema de financiamento. Então, trabalhar com elas significa uma possibilidade de aumentar rapidamente as exportações brasileiras", afirmou.

Ele explicou que o BNDES tem uma linha de financiamento, chamada empresa âncora, destinada principalmente para setores que têm uma única grande empresa e a proposta é adaptar essa linha para as empresas que operam como tradings. "Com isso, vamos conseguir financiar a produção da pequena e da média empresa e alavancar as exportações", disse Teixeira.

As empresas que operam como trading têm dificuldades em obter financiamento, porque não produzem, apenas operam vendendo ou comprando produtos do comércio exterior. Atualmente, o financiamento é dado à empresa fabricante do produto a ser negociado pela trading, que tem de entrar como avalista do financiamento. O grupo de trabalho já identificou que, em alguns casos, o fabricante não entrega os produtos já encomendados pela trading ou também há casos em que há produção, mas a operação de venda da trading acaba não ocorrendo.

O grupo de trabalho também estuda a necessidade de mudanças na legislação porque hoje operam no país como trading cerca de quatro mil empresas, mas apenas 162 atendem às exigências colocadas no decreto 12.048/1972, que concede benefícios fiscais para empresas comerciais exportadores e importadores.

"A diferença entre uma trading company e uma comercial exportadora é basicamente o capital inicial. Mas a natureza do trabalho é diferente. Temos que alinhar essas questões", explicou Teixeira. Ele destacou que está sendo criado no país uma associação representativa das tradings, o que deve melhorar o diálogo deste setor com o governo. "Esse foi um setor esquecido nas últimas duas décadas pelo governo. Tenho certeza que, estruturando este setor, colocando ele mais forte, vamos ter um resultado expressivo das exportações", defendeu Teixeira. Segundo ele, as tradings hoje são responsáveis por 11% das exportações brasileiras e 30% das importações.

Teixeira avaliou que as vendas externas do Brasil devem superar US$ 170 bilhões em 2010. Ele disse que isso deve acontecer em função da recuperação de vários mercados. Ele defendeu a China como um grande parceiro comercial do Brasil e disse que os empresários precisam perder o medo da China. "A China vai ser cada vez mais um parceiro estrutural. Quem tem que ter medo da China são os Estados Unidos, que têm 12% do comércio mundial. Temos que deixar de ter medo da China e olhar o país como uma oportunidade e um desafio e não uma ameaça", disse.

Além do projeto de desenvolvimento das tradings, Teixeira disse que a criação do Eximbrasil, que deve acontecer nos primeiros meses de 2010, deve ajudar a alavancar as exportações brasileiras. Ele afirmou que o real valorizado não é uma restrição às vendas brasileiras. Para ele, se o Brasil ficará entre as cinco maiores economias do mundo nos próximos anos, é impensável ter uma moeda desvalorizada. "O empresário brasileiro vai ter que aprender a conviver com uma economia forte. O Brasil não pode ser competitivo por questão cambial. Tem que ser competitivo pela capacidade de inovação, de produção e pela capacidade de entrar no mercado", disse.

Teixeira disse que o Brasil está saindo da crise mais fortalecido e que isso tem que ser estendido ao comércio exterior. Ele acredita que, nos próximos quatro anos, a participação das exportações brasileiras no mercado mundial deve passar dos atuais 1,3% para algo em torno de 1,6%, o que significaria que o país teria que estar exportando entre US$ 210 bilhões e US$ 230 bilhões.

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