Apex define Plano de Promoção Comercial com empresários

O secretário-executivo da Agência de Promoção de Exportações (Apex), Juan Quirós, reuniu-se hoje com empresários em São Paulo para discutir o Plano Estratégico de Promoção Comercial que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior deve anunciar nos próximos dias. Além de representantes de diversos setores exportadores, Quirós se encontrou com o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Benedicto Moreira Fonseca, e com o ex-secretário da Camex, Roberto Giannetti da Fonseca.Um dos grandes desafios de um plano estratégico para promover os produtos brasileiros é o volume de recursos financeiros, segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), Primo Roberto Segatto. Segundo levantamento da entidade, o capital disponível não chega a US$ 20 milhões. O necessário, entretanto, seriam US$ 300 milhões ao ano, levando-se em conta o modelo coreano, de sucesso.De acordo com o empresário, que não participou da reunião com Quirós, mas acompanha o assunto, a Coréia mantém escritórios de promoção comercial com até quatro pessoas em todos os principais mercados em que atua. Por mês, a estrutura consome uma média de US$ 100 mil. Com a inserção publicitária em jornais, revistas e TVs de primeira linha, mais as missões empresariais, o total anual chegaria a US$ 300 milhões.Foi justamente por conta do aumento da promoção que o Brasil conseguiu elevar as vendas para China, Índia, Rússia e África, segundo Segatto. "A promoção e a comercialização são fundamentais para alavancar as exportações", afirma ele. Na atual estrutura do governo, a promoção está concentrada na Apex e no Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty. Segatto estima que as vendas externas poderiam crescer 60% rapidamente. Para isso, além do investimento em promoção, seria necessário lidar com aspectos da comercialização, como financiamento às vendas externas, facilidades para obtenção de seguro de crédito e aumento da produção. "Há pouco a ser feito, mas sem isso, a alta das exportações será atípica, como agora", diz.Durante os anos de gestão da ex-ministra Dorothéa Werneck, os recursos da Apex não excederam os R$ 80 milhões. Nos dois primeiros anos (1998 e 1999), ficaram em torno de R$ 60 milhões, segundo números já divulgados pela própria secretária executiva.Câmbio e mercado internoO saldo de US$ 1,160 bilhão da balança comercial em janeiro demonstra que o aumento das exportações continua atípico, baseado no dólar valorizado e no desaquecimento do mercado interno. "Como o mercado interno está retraído, a indústria tem buscado desesperada e exaustivamente o mercado externo", avalia Segatto.Em janeiro, o Brasil exportou US$ 4,805 bilhões, ante US$ 3,645 bilhões de importações. O resultado foi 578,3% maior que o superávit registrado em janeiro de 2002, quando acima do verificado em janeiro de 2002, de US$ 171 milhões. Segatto não qualifica como grande feito o resultado de janeiro. Segundo ele, o País continua a deter entre 0,7% e 0,8% do comércio mundial, percentual considerado ínfimo. Há, no entanto, um aspecto positivo a ser destacado: o aumento, ainda que pequeno, das exportações intraempresas. "No Brasil, as empresas estrangeiras exportam na média apenas 17% da produção. No Exterior, a média é 45%. Os dados mostram que isso começa a mudar por aqui, o que é bastante bom", diz.

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