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Apicultores apostam no fim do embargo

UE deve reabrir o mercado para o mel brasileiro a partir de outubro

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

Quando entrou para a faculdade de informática, Francisco Humberto Junior ganhou do pai cinco colméias para ajudar no seu sustento durante os estudos. Antes mesmo de formado, ele deixou os computadores e fez da ''''mesada'''' sua profissão. ''''Meu pai não tinha dinheiro e me deu as colméias. Hoje, é meu sócio'''', diz o apicultor de 41 anos, 23 deles dedicados à produção de mel e derivados. No último ano, pai e filho injetaram no negócio R$ 1 milhão, o maior investimento desde até agora. ''''Estamos na expectativa da abertura do mercado europeu, que deve melhorar os preços'''', diz Humberto Junior.A União Européia impôs o embargo ao mel brasileiro em fevereiro de 2006, alegando falta de controle de resíduos do produto exportado. O governo adequou-se à exigência com o Programa Nacional de Controle de Resíduos (PNCR), que inclui ainda carnes e pescados, ovos e leite. Convencida, após inspeção de técnicos do FVO (Food and Veterinary Office), em março, a UE deve publicar o fim do embargo em outubro.''''Hoje, a análise do mel é feita em oito laboratórios terceirizados'''', diz a médica veterinária Luciana Menegheti, da Divisão de Inspeção de Leite e Derivados de Mel do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo ela, entrepostos brasileiros também já estão se antecipando para cumprir outra exigência da UE, o sistema Hassap, similar aos certificados ISO. Além disso, a Embrapa trabalha, atualmente, em um programa de conformidade do mel, para alinhar o produto às normas internacionais e proteger o Brasil de novos embargos externos.Com isso, a expectativa é de crescimento para a apicultura brasileira. A volta do mercado europeu deve alavancar os preços para exportação em cerca de 30% e estimular a produção. Entre janeiro e agosto, o preço médio de um quilo de mel, para o mercado externo, foi de US$ 1,59 contra US$ 1,54 no mesmo período de 2006. A variação cambial negativa, no entanto, prejudicou os apicultores. ''''A produção apícola depende de preço. Com a volta do mercado europeu, novos produtores a devem entrar no negócio e os antigos, investir em mais colméias'''', acredita John Laurino, da Unit Brazil, corretor de mel responsável por 45% das exportações brasileiras do produto.Prevendo melhores preços, grandes e médios exportadores estão investindo no aumento da produção, como Humberto Junior, da Nectar Flora. Ele comprou novo maquinário para beneficiamento do mel, que o permitiu dobrar a capacidade produtiva, das atuais 200 para 400 toneladas de mel por mês. No ano passado, ele exportou 1.120 toneladas - contra somente 360 toneladas em 2005. O Sebrae e outras 260 organizações parceiras estão investindo R$ 53 milhões em 35 projetos de apicultura. Os investimentos são diluídos em três anos e beneficiam 13.616 apicultores em 457 municípios. Juntos, eles produzem 7,3 mil toneladas de mel - quase 22% do que o Brasil produz . O investimento maior está no treinamento dos apicultores para melhorar a produtividade. ''''Eles já alcançaram a marca de 45 quilos de mel anuais por colméia - quase três vezes a média nacional de 16 quilos de mel por colméia'''', diz Rezende.''''O que demonstra a força do mel brasileiro é que, apesar do embargo, nós continuados exportando'''', diz Reginaldo Barroso Rezende, coordenador nacional da Apis, rede integrada de apicultura sustentável, do Sebrae. Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 9,3 mil toneladas de mel, pouco menos do que os 9,7 mil toneladas vendidas ao exterior no mesmo período de 2006.Com o embargo europeu, o Brasil conquistou os Estados Unidos, graças a um fenômeno, ainda sem explicações, que fez sumir as abelhas em, pelo menos, 30 estados americanos. Os Estados Unidos chegaram a ter de alugar colméias, por até US$ 250 mensais cada, para garantir a colheita de culturas dependentes da polinização. Além disso, a China, então maior exportadora do mundo, perdeu mercado, em 2003, graças à contaminação por bactérias. No Brasil, o patologista David de Jong, do Departamento de Genética da USP de Ribeirão Preto investiga o aumento da mortalidade em colméias, principalmente, do sul do País, mas os casos ainda não podem ser associados ao fenômeno americano. Ao contrário das abelhas americanas e chinesas, segundo Jong, as brasileiras são mais rústicas e resistentes. ''''As abelhas têm um forte fator hereditário e nós optamos por não medicá-las e deixar que haja uma seleção natural. Assim, criamos abelhas muito mais resistentes a infecções'''', diz. Sem antibióticos, o mel brasileiro é considerado mais puro.

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