Aplicação no Tesouro Direto bate recorde

Em agosto, número de operações com títulos públicos cresceu 245,8% em relação ao mesmo mês de 2014

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2015 | 10h07

A pessoa física pode até não calcular a volatilidade dos títulos indexados à inflação – da ordem de 7,92%, segundo o BTG Pactual. Também pode não saber como funciona o mercado de juros futuros – que viveu um dia histórico esta semana, quando alguns contratos bateram os limites máximo e mínimo de negociação. Mas o resultado do Tesouro Direto em agosto, obtido pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, mostra que indivíduos com, na média, apenas R$ 5 mil para investir estão atentos ao aumento das taxas de juros. E mais: estão investindo.

Em agosto, o Tesouro Direto teve o maior número de operações de venda de títulos em um mês. Foram 112.993 operações, um acréscimo de 14,5% em relação ao mês anterior e de 245,8% em relação a agosto de 2014.

O volume total vendido chegou a R$ 1,377 bilhão, a segunda melhor marca para esse indicador. Os títulos com mais procura foram os indexados ao IPCA (Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), que responderam por 60,5% das vendas. Os títulos prefixados (Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais) corresponderam a 12,5% do total, e os indexados à taxa Selic (Tesouro Selic), a 27%.

Em agosto, o número de novos cadastros foi o mais alto em apenas um mês desde o início do programa. Foram 15.187 novas adesões (aumento de 144,1% ante agosto de 2014). O programa encerrou o mês passado com um total de 552.166 investidores cadastrados.

O número de pessoas cadastradas que compraram títulos também bateu recorde. No mês passado, 11.865 dos cadastrados tornaram-se investidores ativos, o que representa um aumento de 333,8% em relação a agosto de 2014. Até 31 de agosto, 187.513 pessoas tinham alguma posição no Tesouro Direto.

Com o maior interesse da pessoa física, o estoque ultrapassou a marca dos R$ 20 bilhões, alinhado com recorrentes recordes que vêm ocorrendo desde as melhorias implantadas no programa em março de 2015. “De março para cá, o programa tem batido recordes. São números expressivos que mostram quanto o Tesouro Direto tem se tornado preferência do investidor”, afirma a economista Débora Marques Araújo, analista de finanças e controle do Tesouro Nacional.

Rentabilidade negativa. O apelo dos títulos de renda fixa para a pessoa física está, via de regra, nas taxas de juros crescentes – algo que tem sido um martírio para o gestor de fundos de renda fixa índices. Segundo dados da Anbima, essa categoria de fundos tem sistematicamente rendido menos que o CDI, o indicador de referência para investimentos e investidores conservadores. Alguns fundos estão com cotas negativas no ano. O resultado disso é que a categoria Renda Fixa Índice amarga uma captação líquida de R$ 8,49 bilhões no ano.

Em geral, o investidor não se sensibiliza tanto com a volatilidade nem com a rentabilidade dos títulos de um mês para o outro, porque tende a esperar o vencimento. Em agosto, por exemplo, o Tesouro recomprou R$ 321,8 milhões de investidores de pessoas que decidiram não levar a termo os papéis. O montante é menos de um quarto do total comprado no mesmo período.

Caso atentasse para a rentabilidade mês a mês, o investidor poderia sofrer, como acontece com os gestores. Nos 12 meses encerrados em 31 de agosto, as NTN-Bs principais (Tesouro IPCA 2035) têm rentabilidade negativa em -15,05%.

Grau de investimento. Débora, do Tesouro, afirma que o rebaixamento da nota soberana pela Standard & Poor's gerou poucas dúvidas sobre a segurança de investir no Tesouro. “A perda do grau de investimento não afeta os títulos do Tesouro Direto nem a segurança do programa”, afirma a analista.

Segundo ela, a dívida mobiliária federal, da qual fazem parte os papéis vendidos aos investidores pessoa física, ainda conta com o grau de investimento da Standard & Poor’s, assim como das outras duas agências internacionais de classificação de risco, Fitch e Moody’s. “Além disso, o Tesouro Direto representa apenas 1% da dívida mobiliária. Ou seja, o investidor não deve se preocupar”, diz a economista.

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