Aplicações: dólar lidera em outubro

O dólar comercial encerrou outubro na liderança do ranking de investimentos, fechando o mês em alta de 3,04%, cotado a R$ 1,901. As incertezas com relação ao cenário externo - principalmente os temores quanto à Argentina - pressionaram as cotações do comercial, que corrige os fundos cambiais. O dólar paralelo ficou em segundo lugar no ranking, com valorização de 1,67%, negociado a R$ 2,013. O péssimo desempenho da balança comercial, a instabilidade em Wall Street e a manutenção dos preços do petróleo em níveis elevados contribuíram também para a alta do dólar. O cenário externo conturbado afetou a bolsa, levando o Índice Bovespa a fechar outubro em baixa de 6,66%, o pior desempenho entre as aplicações. Todas as aplicações de renda fixa renderam acima da inflação de 0,38%, medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No segmento, a liderança ficou com os CDBs para grandes quantias, que renderam 1%. O quadro de fortes oscilações externas que provocou a alta do dólar e a queda da bolsa não deve se repetir este mês, permitindo antever um cenário mais tranqüilo, acredita o diretor da Crédit Lyonnais Asset Management, Fábio de Aguiar Faria. Ele diz que os temores com relação à Argentina diminuíram, ainda que a situação do país vizinho não esteja solucionada.Nos Estados Unidos, com o fim da temporada de anúncio de balanços das empresas, é possível que a instabilidade nas bolsas norte-americanas perca intensidade. O petróleo, embora continue cotado em níveis elevados, não deve disparar. O cenário doméstico, por sua vez, está tranqüilo. A economia está crescendo num ritmo razoável, a inflação está acomodada e o esforço fiscal do governo é digno de elogios, diz Faria.Dólar deve ficar em R$ 1,90 em novembroNesse cenário, ele acredita que o dólar deve ficar na casa de R$ 1,90 este mês, oscilando bem menos do que em outubro. No caso da Bolsa, ele aposta que as ações podem se valorizar nos dois últimos meses do ano, uma vez que os papéis estão baratos e os fundamentos da economia são favoráveis. "Mas não é o caso de se esperar uma explosão das ações", alerta. As projeções de juros tendem a recuar, pois subiram em outubro, embora a taxa Selic deva ser mantida em 16,5% ao ano pelo Copom, em razão da manutenção dos preços do petróleo na casa dos US$ 33 por barril.O diretor de renda fixa da BNP Asset Management, Marcelo Saddi Castro, também acredita que o mercado será mais positivo em novembro. O cenário externo, diz ele, não deve trazer surpresas. Argentina, petróleo e Wall Street ainda inspiram cautela, mas não devem preocupar nas próximas semanas.

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