Aplicações: incerteza e oscilação exigem cautela

Os mercados têm reagido com forte oscilação diante das incertezas em relação ao encaminhamento do processo eleitoral. Boatos a respeito de resultados de pesquisas de intenção de voto, além de denúncias envolvendo alguns dos pré-candidatos à presidência da República, têm mexido com o humor dos investidores. O resultado é que muitas vezes o dólar sobe com força em um dia e, no dia seguinte, reverte a tendência. O mesmo comportamento desencontrado também é visto no mercado de ações e juros.Analistas recomendam cautela aos investidores neste momento de indefinições e comportamento nervoso nos negócios. Segundo o economista-sênior do BBV Banco, Fábio Akira, o pequeno investidor não deve tentar acompanhar os movimentos bruscos dos mercados. "Quando este investidor fica sabendo do boato, os mercados já reagiram e já é tarde. Quem tentar acompanhar estas oscilações rápidas pode perder dinheiro", afirma.Akira afirma que, para os pequenos investidores, o mais importante agora é acompanhar atentamente as suas aplicações, mantendo uma relação mais estreita e constante com a instituição administradora de seus recursos. "Nos bancos, os gestores têm informações mais precisas para um acompanhamento do cenário", recomenda o economista-sênior do BBV Banco.O estrategista-chefe da HSBC Investment Bank, Dawber Gontijo, concorda que a reavaliação constante das aplicações é importante, mas destaca que isso não significa alteração da carteira com a mesma freqüência. "O investidor preciso ficar inteirado para checar se está fazendo a coisa certa. Ou seja, acompanhando a tendência certa. O que não se recomenda é mudar de aplicação com o objetivo de acertar movimentos pontuais dos mercados", analisa. Segundo ele, daqui até outubro, quando acontecem as eleições presidenciais, os mercados devem apresentar momentos de extremismo. Ele recomenda que o investidor não deixe se influenciar por este pânico ou euforia, já que os mercados tendem a se exceder. "Quem quiser preservar seu patrimônio deve ter bom senso e manter a cautela", diz Gontijo, do HSBC.O diretor de fundos de investimento do BNL Asset Management, Claudio Lellis, também destaca que as alterações na carteira de investimentos também passam a ser mais arriscadas em mercados com movimentos de oscilação mais fortes. Lellis afirma que qualquer mudança deve ser tomada apenas se o investidor acredita que está em uma posição cujo risco é maior do que ele aceita.Por que eleição preocupa e provoca oscilações nos negócios?O processo eleitoral que culminará com a escolha do presidente da República para os próximos quatro anos é o principal motivo para as oscilações percebidas nos mercados ultimamente. Este fator passou a ter peso maior na avaliação dos investidores e de forma antecipada, devido à ruptura dos partidos da base governista, PFL e PSDB, em março. De lá para cá, o pré-candidato pelo PSDB, José Serra, apontado pelos investidores como a opção que mais afinada com a continuidade da atual política econômica - cujos principais pilares são a responsabilidade fiscal, as metas de inflação e o câmbio flutuante -, ainda não conseguiu se destacar nas pesquisas de intenção de voto. A última apuração foi realizada pelo Instituto Sensus a pedido da Confederação Nacional dos Transportes. O resultado divulgado ontem mostrou, pela primeira vez, o pré-candidato pelo PSB, Anthony Garotinho, à frente de Serra com 16,5% das intenções de voto. Serra, portanto, recuou para o terceiro lugar, com 13,3%. A liderança nas intenções de voto continua com o pré-candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva."O grande temor dos investidores é o desconhecimento da política econômica a ser adotada pelo próximo governo. O resultado deste medo é uma pressão maior sobre as cotações do dólar e uma queda na Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa", afirma o diretor do BNL Asset Management.O resultado é que, desde o dia 28 de março, o dólar comercial registra uma valorização de 8,43% frente ao real. Neste período, a moeda norte-americana registrou fortes oscilações. Um exemplo disso foi visto entre os dias 10, 13 e 14 de maio. Neste período, o dólar foi vendido nos últimos negócios do dia a R$ 2,4680; R$ 2,5210 e R$ 2,5090, respectivamente, oscilando entre a máxima de R$ 2,5510 e a mínima de R$ 2,4580. Ou seja, neste período, a moeda norte-americana oscilou 3,78%.Veja nos links abaixo as principais recomendações dos analistas para a escolha das aplicações.

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