Aplicativo facilita compra com smartphone

Startup criada este ano em Vitória desenvolve programa para pagamentos móveis  

Nayara Fraga, de O Estado de S. Paulo,

30 de novembro de 2012 | 22h30

Inovação. PicPay recebeu um aporte de investidores-anjo, que têm 15% da empresa (Foto: Alex Silva/Estadão)

Atualizado às 11h17

SÃO PAULO - O perfume está ali na revista e você quer comprar naquele exato momento. O caminho natural é ir ao Google, digitar o nome do produto ou acessar diretamente o site da marca. Outra opção é ir até a loja física. O processo, até a compra de fato, pode levar horas, senão dias.

Uma startup (empresa iniciante) brasileira quer encurtar esse processo. A PicPay, nascida em Vitória, lançou recentemente um aplicativo para facilitar a compra de produtos com a ajuda de um smartphone. Tudo "em menos de 20 segundos", promete o vídeo que anuncia o aplicativo, que leva o mesmo nome da startup. O usuário abre o programa no celular, mira o aparelho no código que acompanha o produto (em mídia impressa ou online), dá poucos cliques e fim. Perfume comprado.

"A ideia nasceu da nossa experiência com e-commerce e pagamento online", diz Anderson Chamon, diretor de inovação e produto da PicPay e graduando em ciência da computação. Ele participou da fundação de uma empresa de gestão de negócios online na TecVitoria, incubadora que apoia o crescimento de empresas de tecnologia.

Foi nesse ambiente que Chamon conheceu Diogo Roberte, hoje responsável pela área de comunicação e marketing. Junto com mais três sócios, eles fundaram a PicPay este ano e finalizaram o produto com investimentos de R$ 2,3 milhões – somando as economias dos fundadores e aportes de um grupo de investidores-anjo não revelados, os quais detêm 15% da empresa. Hoje, a startup tem 15 funcionários. Uma parte fica em Vitória e a outra (equipe comercial), em São Paulo.

O aplicativo já pode ser usado na Perfumagi, loja virtual especializada em perfumes e cosméticos, e em propagandas impressas da Supflex, de pranchas de Stand Up Paddle. A startup diz estar fechando parcerias com outras companhias, entre elas um dos quatro maiores sites de e-commerce do País. "Nossa meta é alcançar um milhão de downloads até o fim de janeiro de 2012 e estar em mil lojas em cinco meses", diz Chamon. A PicPay também fez acordo com a Cielo, para poder aceitar as principais bandeiras de cartão de crédito.

A grande vantagem do PicPay, para Chamon, é sua facilidade de aplicação. Ele explica que o lojista só precisa imprimir o código, sem a necessidade de muito contraste, na peça publicitária em que vai divulgar o produto: outdoor, revista, jornal, cartaz e site, por exemplo. O código é bidimensional e se assemelha ao QR Code (código de resposta rápida, em inglês), usado geralmente em mídia impressa e online como complemento de uma reportagem ou forma de direcionar o consumidor ao site de uma marca por meio do smartphone.

Para fazer a compra com o PicPay, o usuário deve fazer primeiro um cadastro com os dados do cartão de crédito. As informações são armazenadas em ambiente seguro e a criação de uma senha cria mais uma camada de segurança, segundo a empresa. O aplicativo está disponível para iPhone e em duas semanas estará na Google Play (a loja do Android, plataforma presente em celulares de marcas como Samsung, Motorola, LG e Sony).

Tendência. Há vários tipos de tecnologia que permitem o pagamento móvel. Código de barras, como o do Picpay, SMS e aplicativos móveis são alguns dos exemplos. Eles são usados principalmente na Ásia e na África, regiões em que o número de usuários em 2013 deve passar de 170 milhões, segundo a empresa de pesquisa Gartner.

No Brasil, as operadoras de telefonia estão entrando nesse mercado com cartões pré-pagos vinculados a linhas de celular, que permitem transações financeiras. "O pagamento móvel aqui passou do estágio inicial de tentar seguir o exemplo de outros países para se concentrar agora em poucas opções promissoras, como o pagamento associado ao ponto de venda", diz Sandy Shen, analista da Gartner.

A tecnologia da Payleven, empresa do grupo Rocket Internet, aposta no lojista para estimular outra forma de pagamento móvel. Semelhante à americana Square, a companhia envia para o comerciante um leitor de cartão de crédito que pode ser acoplado num smartphone (do próprio lojista). O cliente passa o cartão no leitor e recebe a nota da transação por e-mail ou SMS. "O nicho que buscamos atingir é o de empresários que não conseguem ter outras soluções para aceitar cartão de crédito", diz o diretor da Payleven Brasil, Rennan Fortes. Mil lojas brasileiras usam o produto da empresa hoje.

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