Aplicativos disputam clientes corporativos

Empresas de transporte individual, acomodação e serviços de troca de experiências tentam expandir seus usuários pessoa jurídica

Laura Maia, Luiza Facchina ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S. Paulo

30 Maio 2015 | 16h58

Os serviços oferecidos exclusivamente para empresas têm sido um recurso usado por plataformas inovadoras da chamada Economia do Compartilhamento para expandir negócios e torná-los mais rentáveis no Brasil. O lançamento mais recente foi o do serviço corporativo Uber for Business, na contramão dos protestos de taxistas e das polêmicas sobre a regulamentação do aplicativo que conecta motoristas particulares a usuários. 

Já disponível nos EUA desde julho de 2014, a ferramenta possibilita que o valor das corridas de funcionários seja descontado diretamente da conta da empresa cadastrada, sem a necessidade do processo de reembolso. “A empresa ganha por ter mais controle sobre as viagens, economizando dinheiro. Ao mesmo tempo, a demanda pelo serviço da Uber cresce”, diz o diretor-geral da Uber no Brasil, Guilherme Telles. 

Em Brasília, os sócios da agência de publicidade Look’n Feel cadastraram o serviço seis dias depois após o lançamento da plataforma. “Já usávamos o Uber, mas o cadastro vai facilitar a rotina com o setor financeiro”, diz o sócio João Pedro Costa, de 28 anos. 

O Uber não divulga o número de empresas cadastradas. Serviços corporativos semelhantes, mas oferecidos pelos dois principais aplicativos de táxi (Easy Taxi e 99Táxis), já somam mais de 1,3 mil empresas cadastradas no País desde o início de 2014.

No setor de acomodação, a plataforma Airbnb, que conecta usuários em mais de 190 países para aluguel de apartamentos e casas de temporada, lançou uma ferramenta só para empresas em julho de 2014. A empresa afirma, por meio de nota, que vê no Brasil um grande potencial para a expansão de viagens corporativas pelo Airbnb e que busca parcerias com empresas locais. Assim como no caso do Uber, o cadastro não tem custo adicional para as companhias, que pagam as mesmas taxas que qualquer outro usuário. 

Para o professor em empreendedorismo do Insper, Marcelo Nakagawa, as empresas estão abertas a novas ideias, sobretudo as que reduzam custos de operação. Como principal vantagem para plataformas da economia do compartilhamento, ele destaca o ganho de escala. “É mais eficaz do que ficar tentando conquistar cliente a cliente, um a um. Você ganha, de uma tacada só, uma escala maior e mais rápida no mercado.” 

Já o professor da Faculdade de Economia da USP (FEA-USP) Paulo Feldmann se mostra um pouco cético em relação ao futuro dessas parcerias. “Há muita moda na área de gestão de empresas. Ela surge, tem um sucesso grande e depois acaba desaparecendo. Não sei se é, de fato, uma tendência”, observa.

O fato é que até a rede colaborativa de troca de tempo Bliive, na qual 80 mil usuários estão cadastrados para trocar experiências, como uma hora de aula de guitarra por uma hora de curso de inglês, entrou no mundo corporativo. As plataformas customizadas para as empresas custam de R$ 1,99 até R$ 4,99 por funcionário por mês, dependendo do tamanho do cliente corporativo.

“O Bliive grupos é hoje o carro-chefe do nosso modelo de negócios. É o que possibilita o financiamento da nossa rede de colaboração. Além disso, a ferramenta permite tornar o ambiente das empresas menos competitivo por meio da integração, capacitação e colaboração dos funcionários”, diz a fundadora da Bliive, Lorrana Scarpioni, de 24 anos.

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