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Trump defende reforma do comércio global

Presidente estreou em Davos com banda de música, acusou os concorrentes, atacou a imprensa e foi vaiado pela plateia

Rolf Kuntz, enviado especial, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2018 | 13h27

DAVOS - O presidente Donald Trump propôs uma reforma do comércio internacional, queixou-se dos concorrentes, acusou países de furtar tecnologia e de subsidiar indústrias de forma desleal, atribuiu a seu governo a recuperação da economia americana e, mais uma vez, chamou a imprensa de mentirosa. Com um ano de governo completado uma semana antes, compareceu ao Fórum Econômico Mundial pela primeira vez, acompanhado de um grande time de assessores. Como empresário, nunca havia aparecido em Davos. 

Duas grandes novidades marcaram a participação do presidente Trump numa sessão plenária do fórum. A primeira foi a presença, no palco, de uma banda com cerca de 30 músicos uniformizados e com penacho no quepe. Reis, primeiros-ministros e presidentes discursam em sessões desse tipo, mas sem banda de música. Vaias foram a segunda novidade.

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Ao apresentar o convidado, o fundador e chefe do fórum, Klaus Schwab, admitiu a hipótese de as opiniões de Trump serem, às vezes, mal interpretadas. O público vaiou. Vaias sugiram novamente quando o presidente americano recitou a costumeira acusação à imprensa de produzir fake news - notícias falsas, ou, mais precisamente, mentirosas. 

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Diante de um auditório lotado com 1.500 pessoas, Trump exibiu otimismo, sorriu muito, declarou-se propenso à cooperação internacional, apresentou o crescimento de seu país como benéfico para todo o mundo e convidou os empresários a investir nos Estados Unidos. 

Mencionou o crescimento da economia americana “depois de longa estagnação”, citou a redução do desemprego e tentou atribuir as melhoras a seu governo. Foi uma tentativa de produzir uma informação mentirosa. A economia dos EUA havia voltado a crescer alguns anos antes da última eleição presidencial. Além disso, a criação de empregos já se havia estendido por cerca de 70 meses quando Trump tomou posse, em janeiro de 2017. A expansão econômica voltou no período do presidente Obama.

Protecionismo. Trump negou ser protecionista e, como de costume, acusou outros países de comércio desleal. Não citou nomes, mas suas queixas foram interpretadas como dirigidas principalmente à China. O mais novo conflito comercial dos EUA foi a imposição de barreiras à importação de painéis solares de origem chinesa. Os chineses têm sido acusados também de pirataria tecnológica. Mas outras ações protecionistas do governo têm atingido vários parceiros. 

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Os afetados por essas medidas podem recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) em defesa de seus interesses. Segundo Trump, no entanto, as normas internacionais sob proteção da OMC são inadequadas e insuficientes para a promoção de transações justas. 

Trump prometeu aplicar as leis comerciais contra os concorrentes considerados desleais. Presumivelmente, leis americanas, porque ele defendeu no discurso a reforma da OMC e das normas comerciais, para a promoção do intercâmbio justo, mas esse justo é sempre referido a padrões aceitos atualmente na Casa Branca. Por esses padrões, a diplomacia americana tem dificultado o funcionamento da OMC - por exemplo, emperrando a nomeação de juízes para o órgão de solução de controvérsias. 

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“Estados Unidos em primeiro lugar não quer dizer Estados Unidos sozinhos”, disse Trump, no esforço para mostrar o espírito cooperativo de seu governo. 

Espera-se de todo governante, disse ele, atenção prioritária a seu país, mas essa prioridade é compatível com a cooperação. Não avançou muito, no entanto, no esforço para detalhar como pode ser essa ação combinada entre países. Num raro sinal de concessão, mostrou-se disposto a reaproximar o país da Parceria Transpacífico (TPP), acordo abandonado no início de seu governo. Mas o interesse da administração americana continua focado, principalmente, nos acordos bilaterais. 

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O resto do discurso tratou de outros temas de política externa, como o combate ao Estado Islâmico e o esforço combinado para conter a nuclearização da Coreia do Norte. Mencionou rapidamente a política migratória, para declarar a preferência a imigrantes qualificados e capazes de aportar uma contribuição relevante à economia nacional.

 

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