Apollo Education chega ao Brasil de olho no mercado de ensino à distância

Educação. Grupo americano, com receita anual de US$ 3 bilhões, comprou 75% de participação da Faculdade da Educacional da Lapa (Fael), do Paraná, por R$ 73,8 milhões, além de assumir dívidas; companhia sondava mercado brasileiro há pelo menos seis anos

DAYANNE SOUSA, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2014 | 02h01

Depois de anos de tentativas frustradas, a companhia americana Apollo Education realizou uma aquisição no Brasil. A empresa, que olha o mercado brasileiro pelo menos desde 2008, adquiriu 75% da Faculdade da Educacional da Lapa (Fael), do Paraná, por R$ 73,8 milhões e mais um montante de dívidas não revelado.

Um dos maiores grupos de ensino do mundo em valor de mercado depois da brasileira Kroton e da chinesa New Oriental, com receita de mais de US$ 3 bilhões/ano, a Apollo chega ao País de olho no ensino a distância (EAD), mercado mais disputado pelas gigantes brasileiras do setor.

Em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, Curtis Uehlein, presidente do braço da companhia responsável pelas operações internacionais, a Apollo Global, diz que a empresa buscou a Fael especificamente por causa da capilaridade no ensino a distância. "A companhia é quase que exclusivamente de ensino a distância e acreditamos que essa é a forma pela qual podemos alcançar mais estudantes que não poderiam ter acesso ao ensino de outra maneira."

A Fael é uma instituição considerada pequena: tem apenas 12 mil alunos frente aos centenas de milhares das grandes do setor. Com 113 polos de apoio presencial, a Fael tem, porém, o requisito principal para ofertar cursos a distância em todos os Estados brasileiros. Os polos são os locais onde alunos de ensino a distância têm alguns encontros presenciais com professores e podem realizar provas.

Fontes do setor afirmam que a Fael enfrenta problemas de caixa e dificuldades para atrair novos alunos. Dos 113 polos, apenas 85 estão ativos, numa média de não mais que 150 estudantes, número bem inferior à média de 500 alunos por polo do setor no Brasil. Na prática, dizem as fontes, os americanos pagaram por unidades quase sem alunos apenas para terem a oportunidade de entrar no mercado brasileiro, com a expectativa de reestruturar o negócio no médio prazo.

Uehlein afirma que a Apollo espera poder fazer a Fael crescer. "Nossa meta é trazer as melhores práticas e acreditamos que a Fael tem um ótimo currículo." Uma das principais formas de crescimento é com a abertura de novos cursos. O executivo diz que a Fael já teve autorizada a oferta de novos cursos pelo Ministério da Educação. Hoje são 11 cursos já ofertados e outros nove já foram autorizados.

Dívida. Sobre as dívidas da Fael, Uehlein diz que a companhia está "colocando dinheiro no negócio" e acredita que a empresa "está bem posicionada financeiramente depois da aquisição". "A companhia tem agora capacidade para investir o necessário para garantir o crescimento."

A sede da Fael é a cidade da Lapa, na região metropolitana de Curitiba, onde a faculdade possui sua única unidade de ensino presencial. A instituição era até então controlada pela família do ex-ministro da Saúde, Luiz Carlos Borges da Silveira.

A Apollo já é conhecida pelo foco em ensino a distância nos EUA, onde detém a University of Phoenix. Por meio da Apollo Global, também possui operações em países como México e Chile.

Segundo Uehlein, a Apollo espera poder trazer conteúdos do exterior e adaptá-los ao português. Além disso, diz, seu foco neste primeiro momento será a modernização de sistemas administrativos. "Esperamos apoiar melhor os alunos e há uma série de processos hoje que impedem a equipe de se concentrar nos alunos", diz. Há boas práticas que consideramos apropriadas para o Brasil que permitem reduzir o trabalho manual na gestão da universidade."

Novas aquisições. O presidente da Apollo Global não descarta novas aquisições no Brasil. Ele afirma, porém, que o foco da companhia, no momento, é o crescimento da Fael. "Mas estamos sempre abertos tanto a aquisições em países onde não atuamos, como em países onde já atuamos."

Entre os desafios do ensino superior no País, o executivo destaca a competição de grandes empresas nacionais com gestão profissional e a complexidade de regulação do Ministério da Educação. "Estamos conscientes de que seguiremos regras e regulamentações e isso não causa preocupação porque acreditamos que temos qualidade", diz. "Não estamos preocupados nem com a competição e nem com o governo."

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